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César Fonseca

Repórter de política e economia, editor do site Independência Sul Americana

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Lula polariza com Trump em defesa da soberania nacional e contrapõe-se ao entreguismo de Bolsonaro e Caiado na disputa eleitoral

Postura soberana de Lula contrasta com alinhamento submisso de Flávio Bolsonaro e Caiado aos interesses dos Estados Unidos na disputa eleitoral

Lula e Trump se reúnem na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

Somente os ingênuos acreditam que ainda está de pé a química Lula-Trump, que parecia que ia dar caldo grosso, quando o imperador de Washington baixou, antes da guerra contra o Irã, o fracassado tarifaço contra o Brasil.

A dependência dos Estados Unidos dos produtos primários e semielaborados brasileiros deixou claro que, sem eles, a economia americana sofreria forte pressão inflacionária.

Washington voltou atrás e abriu outra frente de negociação, com certa ansiedade, sem levar em consideração os interesses brasileiros quanto ao objetivo americano de ter acesso às terras raras, necessárias ao desenvolvimento tecnológico das indústrias americanas.

Lula deixou clara a necessidade de cláusulas de reciprocidade: se elas precisam desse insumo, o Brasil necessita de tecnologia para processá-las, para alcançar valor agregado nas relações de troca.

Ficou evidente a posição brasileira na palavra-chave: soberania nacional.

Entreguismo antinacionalista de Bolsonaro e Caiado

O senador Flávio "Rachadinha" Bolsonaro, apressado em se mostrar vendilhão da pátria, disse, nos Estados Unidos, em encontro dos adeptos da direita e ultradireita mundial, que está disposto a atender, primeiramente, o interesse americano e, só depois, cuidar do interesse nacional quanto ao assunto.

O despreparo do candidato Bolsonaro filho, de extrema direita fascista, ficou explícito.

O mesmo fez o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, escolhido pelo PSD como candidato à disputa eleitoral pela direita.

Politicamente, ambos venderam ao governo Trump sua disposição de subalternidade total, adiantando-se na tarefa de se mostrar mais úteis a Washington, para inviabilizar a química Trump-Lula.

Ou seja, a dupla de direita e ultradireita fascista cuida de dividir votos, no primeiro turno, um querendo superar o outro, cujas consequências podem ser favoráveis a Lula, em possível vitória em primeiro turno, diante da desfaçatez antinacionalista de ambos.

Fracasso trumpista

Mas Trump não está com essa bola toda para que a direita e a ultradireita fascista, diante dele, abaixem, perigosamente, as calças.

As incógnitas se acumulam porque, diante da fracassada guerra trumpista contra o Irã, não se sabe se é seguro o destino político de Trump, cuja popularidade, tanto nos Estados Unidos como no mundo, está despencando.

As gigantescas passeatas contra o chefe da Casa Branca, no último fim de semana, levaram-no a desistir da guerra, com medo de derrota eleitoral, em novembro, que pode levá-lo a um impeachment.

As cogitações generalizadas de que o imperador não está batendo bem da cabeça viram fator de risco para os seus aliados políticos, haja vista o distanciamento que dele tomam governantes europeus, desconfiados de sua sanidade, diante do zig-zag de suas posições quanto ao conflito no Oriente Médio, onde se perdeu.

Vender a soberania nacional a preço de banana, como fazem os adversários de Lula, como Bolsonaro e Caiado, tende, portanto, no decurso da campanha eleitoral, a ser mau negócio politicamente, já que mexe com os brios da população.

É esse detalhe fundamental que o pragmatismo político joga a favor de Lula e contra Bolsonaro-Caiado, ambos se mostrando sôfregos para entregar a soberania como fator de troca para atender seus objetivos antinacionalistas, agredindo, portanto, a inteligência nacional.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.