Lula se iluminou

Lula agora entra em outra etapa, a de que deixa de servir somente ao jogo político. Pelo que enfrentará em carne e osso, ele será candidato não à presidente mas ao Nobel da Paz, aquele que, por amor, professa sua escolha de vida e tudo suporta. É aquilo o que disse o sábio do Recôncavo: "o grande vencedor se ergue além da dor". A dele é dar dignidade às pessoas e ao país que não a tinham plenamente

Lula
Lula (Foto: Leopoldo Vieira)

Anunciada a condenação do ex-presidente Lula, a aliança dos extremos, dos que o denunciam como um populista radical de esquerda e dos que o querem "contra o mercado" e contra a "conciliação", produziu duas reações:

a) O recorde de ganhos do Ibovespa, pois, naturalmente, ninguém gosta de perder dinheiro, só de ganhar, seja rico ou pobre, e toda oportunidade é uma oportunidade.

b) A inflamada ameaça de desobediência civil e "rebelião", evocada com a justeza dos corações vilipendiados.

No meio tempo, a Justiça do DF cassou o passaporte de Lula para palestrar num evento sobre combate à fome das Nações Unidas, na Etiópia.

Novamente, uns começaram a atualizar cálculos sobre as chances dele estar na urna eletrônica, do Supremo livrar ele da prisão, se diminui o potencial de votos proporcionais do PT ao Congresso Nacional, se a esquerda abraça outra candidatura em nome da luta contra "o golpe", se sai carta ao povo brasileiro para setores médios ou ao mercado, se a centro-direita ganhou uma chance e daí por diante.

Mas Lula sublimou. Sim, parece ter alcançado o Moksha político.

Em vídeo explicando as razões da sua ausência ao evento na África, disse que seu único crime foi ter colocado os pobres na agenda pública e que o Brasil vive uma ditadura de parte do Judiciário.

Ditadura esta, de parte do Judiciário, que, usando fatos controversos num mesmo balaio de narrativa e propaganda, tragou todo o sistema político, inclusive o governo federal atual.

Certos analistas de mercado e parcela dos partisans em geral fazem a mesma aritmética: uns para a contabilidade dos clientes (muitas vezes a serviço de outros clientes), outros para a dos votos a entrarem na urna para o seu próprio pleito a uma cadeira na Câmara ou no Senado Federal.

Assim alimentam extremismos reais para chamarem de seu. Ao InfoMoney, registrei para a história, que é um grande livro-ata da humanidade com milhares de comentários e não um Deus laico, que da condenação de Lula se sobressai Jair Bolsonaro.

Provavelmente pregação no deserto até virem o oásis envenenado...

Essa aliança não percebe, numa fronteira, que perde a oportunidade de firmar compromissos por reformas nacionais duradouras, porque oriundas de acordos consistentes. Noutra, aproveita-se da popularidade de uma obra muito significativa para as vítimas da fome e da pobreza para a melhor aparência conveniente da doutrina predileta.

Só que Lula agora entra em outra etapa, a de que deixa de servir somente ao jogo político. Pelo que enfrentará em carne e osso, ele será candidato não à presidente mas ao Nobel da Paz, aquele que, por amor, professa sua escolha de vida e tudo suporta. É aquilo o que disse o sábio do Recôncavo: "o grande vencedor se ergue além da dor".

A dele é dar dignidade às pessoas e ao país que não a tinham plenamente.

Lula não virou lulismo, superou o candidato, o cabo eleitoral. Aos 70 anos adentrou numa outra conversa. E querer reduzi-lo a um radical de classe média por interesses comezinhos "liberais" e "socialistas" será inútil em todos os sentidos. O que ele e os seus laços são com a vida, as pessoas, as lideranças não permitirá isso.

Lula voltou a Luiz Inácio, iluminou-se. Se acharam fantástica a experiência cósmica de terem visto história - valendo! - no Impeachment, preparem-se para esta, para sofrer e se emocionar com os melhores e os piores sentimentos.

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