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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Lula só tem a ganhar se escolher mais velho

Nomeação à mais alta corte do país tem que ser o coroamento de uma carreira jurídica brilhante - e não o início

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Já que nem o presidente Lula, do alto de suas 77 (quase 78) primaveras prestigia a sua geração, peço licença para fazer algumas observações a respeito daqueles que, depois de décadas pagando impostos, vivenciando diferentes momentos da vida nacional, errando e acertando, aprimorando seus conhecimentos, recebem do estado uma aposentadoria vergonhosa, o direito de usar de graça ônibus e metrô e ter prioridade na fila do supermercado e do banco.

   Essas pessoas, no entanto, em nosso país, não têm prioridade para ocupar cargos relevantes da República. Ao contrário, estão no final da fila. Se é que estão na fila.

   Não vou nem comentar a primeira escolha de Lula ao STF.

   Estamos às vésperas de sua segunda indicação. Os dois favoritos são, tal como o primeiro escolhido, jovens: Bruno Dantas tem 45 anos e Jorge Messias, 43. Tal como o primeiro escolhido, nasceram no final da ditadura militar. Não viveram o período mais tenebroso dos últimos 60 anos.

   O principal critério constitucional é que ministro do STF tenha notável saber jurídico e reputação ilibada. 

   Sabedoria é algo que, com raras exceções, não se aprende na universidade; adquire-se com o passar do tempo, ao longo de uma vida de estudos, de uma convivência, na área jurídica, com os principais temas nacionais, com o amadurecimento de idéias e convicções. 

   O mesmo se dá com a reputação ilibada. Só o tempo revela se a pessoa é honesta e honrada. 

   Nomeação à mais alta corte do país tem que ser o coroamento de uma carreira jurídica brilhante - e não o início.

   E, de preferência, o indicado precisa ter experiência como juiz - pois o ministro do STF é um juiz - e não apenas como advogado. 

   De mais a mais, ao indicar um ministro com mais de 60, o presidente, qualquer presidente, só tem a ganhar.

   Se a escolha se revelar  desastrosa, o desastre vai perdurar por menos tempo. O presidente vai errar menos. 

   Se for acertada, o jubilamento será celebrado freneticamente e o presidente receberá os louros.   

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.