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César Fonseca

Repórter de política e economia, editor do site Independência Sul Americana

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Lulismo e bolsonarismo no cenário da guerra de Trump entram em ritmo de confronto na campanha eleitoral

Conflito entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flavio Bolsonaro se intensifica com guerra de Donald Trump contra o Irã e redefine a disputa eleitoral no Brasil.

Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert/PR I Divulgação)

Se o presidente Lula condena a guerra Israel-EUA contra Irã e o bolsonarismo apoia, como destacou o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, chegou ou não a hora da esquerda convocar a militância para as ruas em favor da paz, no compasso da campanha eleitoral que já está em marcha?

A direta anti-bolsonarista e anti-lulista, que se encontra dividida entre, no mínimo, quatro candidatos, estará a favor ou contra a guerra, que se ergue como divisor de águas na luta política, de agora em diante?

O presidente do PT, Edinho Silva, antes do ataque do fascista Donald Trump ao regime dos Aiatolás, destacou que a cruzada do partido, em 2026, em busca do quarto mandato de Lula, é pela democracia contra o fascismo; nesse ponto, sintoniza-se pela paz, com o presidente, contra a guerra.

A palavra do PT, portanto, pela sua liderança, ancorada na do presidente da República, polariza, diretamente, com o candidato da ultradireita, presidente dos Estados Unidos, cuja ação o titular do Planalto, como posição de governo é contrária à guerra.

A campanha eleitoral, portanto, tem o seu mote estabelecido pela esquerda diante da agressividade fascista do bolsonarismo, exposta pelo seu candidato bolsonarista fascista, sem meias palavras, indo contra as principais lideranças mundiais.

A emergência da guerra coloca em confronto quem apoia o presidente Trump e seu aliado, Benjamin Netanyahu, e os que os repudiam, como o presidente do Brasil, conforme posicionamento do Itamarati, em favor da paz.

Trata-se de confronto que representa imperativo categórico como chamamento à população para o devido posicionamento político.

MUNDO ENSAIA OPOSIÇÃO AO FASCISMO

Na ONU, as principais lideranças se posicionam contra a guerra, com destaque para China e Rússia, que já exigem cessar fogo imediato, como recado forte ao chefe da Casa Branca, que declarou os ataques sem consultar o Congresso americano, ou seja, sem o apoio da opinião pública, contrária à guerra que Trump prometeu não iniciar, em campanha eleitoral.

A contradição do chefe do governo do império está em contradição visível com suas promessas, agora, rasgadas no ataque ao Irã.

O desdobramento dos acontecimentos, nos próximos dias, caso continuem cerrados os ataques de Washington a Teerã, dever levar milhões de pessoas às ruas nos cinco continentes, em polarização que tende a ser irresistível entre democracia e fascismo.

Contribuirá para a reação mundial as consequências econômicas imediatas que se farão sentir nas bolsas internacionais e no mercado de petróleo, especialmente, com a decisão do governo iraniano de fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa o petróleo do Oriente Médio.

Os aumentos dos preços dos combustíveis se farão sentir, com reflexo na inflação e no mercado financeiro, com aumento das taxas de juros, certamente, influindo, no caso brasileiro, para reverter expectativas de queda da taxa Selic, na casa dos 15%, a mais alta do mundo, abaixo, apenas, da Turquia.

A batalha contra a inflação, desse modo, recrudescerá com tendência de alta, gerando mudanças no panorama econômico mundial, como reação ao risco dos investimentos em geral, dado que o motor da economia global, ainda, depende do petróleo como combustível essencial.

Certamente, a produção e o consumo, diante do fechamento do Estreito de Ormuz, impõem outro status quo econômico global, dadas as novas circunstâncias emergentes, tensionando, por sua vez, mercado de ações, no cenário da financeirização global.

Do ponto de vista brasileiro, aumenta a incógnita quanto ao encontro Lula-Trump, ainda sem data marcada, mas já referenciado pelo titular da Casa Branca de que brevemente terá o presidente brasileiro na Casa Branca.

Como Trump disse isso antes do ataque, que abala as relações internacionais, é de se indagar: haverá mesmo o encontro, e se houver, a pauta da conversa, diante da guerra, será ou não alterada, dadas as novas circunstâncias internacionais?

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.