Made in USA

Os EUA sempre agiram de forma suja, tentando ares de legalidade em seus jogos políticos. Tal como fizeram no Brasil em 1964, e mais recentemente em 2016, sabotam os países e plantam mentiras, trazendo para seu lado parte da população ignorante – massa de manobra, como os PATOpatriotas que seguiram MBL, VemPraRua e cia

Made in USA
Made in USA (Foto: Reuters)

Após o golpe parlamentar que sofremos em 2016, com a retirada do poder da legítima presidenta Dilma Rousseff, o que temos assistido – e, infelizmente, de forma um tanto quanto pacífica – é a entrega de nosso país aos interesses do capital estrangeiro, incluindo também a perda de direitos trabalhistas e sociais conquistados há tempos.

Em uma análise mais profunda, percebe-se que a questão vai além do partidarismo político nacional. Como já disse outras vezes, os interesses geopolíticos extrapolam essa dicotomia partidária, nos remetendo ao período anterior a própria Constituição.

Li recentemente ao livro “De Martí a Fidel - a Revolução Cubana e a América Latina”, de Luiz Alberto Moniz Bandeira. Um livro espetacular, ricamente documentado e que mostra o que é realmente a política dos Estados Unidos e suas manobras para “democratizar” nações soberanas que não atendem seus interesses e se opõem ao capitalismo e à sua maneira de governar política e economicamente. E com isso, inventam uma “ditadura” ou a necessidade de “ajuda” para intervirem nesses países. Foi assim que invadiram o Afeganistão, Líbia, Síria, Irã, Iraque, Egito e tanto outros países. E, de forma sorrateira, através de golpes – militares e parlamentares – também na América do Sul, dificultando a ascensão de países como o Brasil, Venezuela, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Chile.

Os estadunidenses – que por sinal, insistem em se autodenominarem norte-americanos, ignorando México e Canadá – sempre agiram de forma suja, tentando ares de legalidade em seus jogos políticos. Tal como fizeram no Brasil em 1964, e mais recentemente em 2016, sabotam os países e plantam mentiras, trazendo para seu lado parte da população ignorante – massa de manobra, como os PATOpatriotas que seguiram MBL, VemPraRua e cia.

Assim, todo país latino-americano que confronta os interesses políticos dos Estados Unidos, passou a ser considerado como alinhado à esquerda – e rotulado “comunista”.

Foi esse pretexto que usaram contra Cuba e lá resolveram intervir. Em um primeiro momento até tentaram invadir o “país comunista”, mas foram vergonhosamente desbaratados pelos guerreiros cubanos na Baia dos Porcos (‘La Batalla de Girón’), restando a imposição do abusivo embargo econômico, gerando o caos e até mesmo o desabastecimento, sem o mínimo de preocupação com a população – como é de praxe na cultura de guerra dos EUA.

Assim, com essa atitude imoral e desumana, criaram e venderam a ideia de que os regimes socialistas – contrários ao capitalista, defendido arduamente pelos ianques – são prejudiciais ao povo, causando fome e desigualdade. Cuba, até hoje, é usada como sinônimo de “pobreza, miséria e fome” – basta lembrar o jargão batido dos coxinhas-paneleiros que tentam nos ofender com o famoso “VAI PRA CUBA!”

(Em tempo: Cuba é um dos poucos países na atualidade que apresenta índices excelentes na saúde, educação e habitação)

O curioso nisso tudo é que o ataque à Cuba e aos países que potencialmente poderiam enveredar para o mesmo regime socialista, é que os estadunidenses usaram do pressuposto de que seriam países alinhados ao regime nazista e/ou fascista, dada a polaridade mundial durante a Guerra Mundial. E muitos compraram essa falaciosa ideia. No entanto, como Bandeira cita em seu livro, ...os golpes militares [subsidiados pela CIA/EUA] na Argentina e na Bolívia, durante a Segunda Guerra Mundial, não representavam clara ameaça de introdução do nazismo e do fascismo, mas antes a reemergência, em forma aguda, do nacionalismo, ‘que era endêmico e às vezes epidêmico em todos ou quase todos os países da América Latina’ (...). O nacionalismo nos países da América Latina, com efeito, desenvolveu-se em oposição, fundamentalmente, aos Estados Unidos, para os quais, desde os primórdios do século XIX, a expansão de seus interesses econômicos na América Latina jamais respeitou qualquer fronteira”.

Em outro trecho, Bandeira é certeiro ao afirmar que “por volta de 1944, [quando Roosevelt começa] a induzir os países das Américas Central e do Sul a restabelecer o regime democrático, a preocupação dos Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial, não foi propriamente defender liberdades políticas na América Latina, mas assegurar um clima favorável aos seus negócios e investimentos privados, bem como o acesso às fontes de matérias-primas, sobretudo petróleo (...) os Estados Unidos passaram a fomentar golpes de Estado e sustentar ditaduras, de modo a conservar sua hegemonia na região, impedindo que eleições levassem ali forças nacionalistas antinorte-americanas, percebidas como comunistas, ao poder”.

A história cubana é o exemplo mais gritante dessa arbitrariedade e desrespeito dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, Cuba é o exemplo mais emblemático, justamente pela superação, nacionalismo e resistência ao longo de mais de 50 anos contra ações abusivas e absurdas. Ações essas que passam por embargos econômicos, até sabotagens, tentativas de assassinato e outras ações terroristas bancadas pela CIA (isso mesmo! Terrorismo que os ianques tanto dizem abominar), com destaque ao “colaborador e agente, Luís Posada Carriles, em 6 de outubro de 1976, [que] fizera explodir em pleno voo, em frente à costa de Barbados, um avião da companhia Cubana de Aviación, matando 73 pessoas.

Mesmo com as sanções, Cuba e seu bravo povo conseguiram reverter parcialmente o caos, e encontraram no turismo uma válvula de escape para suprir às necessidades econômicas. Mas, como era de se esperar, o troco veio, com atentados contra o Hotel Guitart, Hotel Mélia Las Americas. O objetivo desses ataques – incluindo o assassinato de um trabalhador em uma das áreas turísticas – era criar um clima de terror, que prejudicasse o fluxo de turismo para Cuba(...). Com efeito, Cuba, a partir de 1960, fora forçada pelos sucessivos governos dos Estados Unidos a viver em permanente estado de guerra, e ao longo de quase cinco décadas (...), de 1960 a 2008, ocorreram 713 atos de terrorismo na ilha, 56 dos quais a partir de 1990, organizados e financiados a partir do território americano, com um saldo de 3.478 mortos e 2.099 incapacitados.

Vários são os pontos inimagináveis apresentados no livro que chegam a atormentar. Destaco o trecho em que é citado o suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954. Na ocasião, optou por essa atitude “denunciando a ‘campanha subterrânea’ dos grupos internacionais, que se aliaram aos grupos nacionais ‘revoltados contra o regime de garantia de trabalho’, e a ‘violenta repressão’ sobre a economia brasileira”. Para os Estados Unidos, era (e é) inaceitável que um país siga uma política divergente ao capitalismo. Em outro trecho do livro, Bandeira diz que “as sanções começaram visando acentuar o enfraquecimento da estrutura econômica e social de Cuba e engendrar, internamente, o máximo de desconforto e descontentamento, de modo que a população responsabilizasse Castro pelo descalabro da situação”.

Não se trata, portanto, de teorias conspiratórias como alguns ainda insistem em dizer, mas sim de fatos que nem sempre – para não dizer nunca – a mídia hegemônica e golpista mostrará em seus jornais e revistas.

Soa familiar com o que acontece atualmente em nosso Brasil? Mera coincidência?

A resposta é não!

O Brasil estava incomodando no cenário mundial. As políticas públicas do PT e seus aliados da esquerda incomodavam. A soberania nacional com o Pré-Sal, e o protagonismo mundial que estávamos tendo, despertou o medo dos Estados Unidos. O surgimento do BRICS, suportado por duas das maiores potências econômicas do mundo (China e Rússia), e com o Brasil – de Lula/Dilma – fazendo parte, ameaçou significativamente a soberania do FMI (leia-se, Estados Unidos). Paralelamente, com a visão cada vez mais clara de que os países podem e devem ser soberanos em suas atitudes, o sinal vermelho dos EUA acendeu. Algo precisa ser feito.

Lembram-se dos movimentos nomeados de “Primavera Árabe”, que serviram de pano de fundo para as invasões e atuações ianques? Aqui, os movimentos ditos apartidários também surgiram, em junho de 2016, com a proposta de lutarem contra a corrupção. E foi dali começaram as movimentações que oficializaram o golpe parlamentar travestido de impeachment – tamanha foi a mentira desses movimentos que vários líderes dos grupetos que surgiram, posteriormente se filiaram a partidos da direita e se elegeram para algum cargo legislativo. Além disso, os casos de corrupção, ao invés de diminuírem, passaram a ser “esquecidos” pela própria imprensa, que ignoraram vários inquéritos engavetados e arquivados contra políticos da direita, os mesmos que apoiaram e desfilaram nas avenidas pedindo “Fora Dilma”.

Lula é a vítima mais recente dos interesses geopolíticos. Não bastasse o grande acordo nacional da direita raivosa, os últimos acontecimentos envolvendo o poder Judiciário serviram para escancarar de vez o regime de exceção que vivemos. A disputa entre instâncias, entre desembargadores e o desrespeito jurídico revelou de vez que não apenas vivemos em um ESTADO DE EXCEÇÃO, mas prova que Lula é um preso político – tal como várias lideranças denunciam, assim como a Fundação Internacional de Direitos Humanos reconheceu. E sua prisão arbitrária é mantida sob a égide do “custe o que custar” porque Lula solto é uma grande ameaça à elite e os interesses capitalistas.

 

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