Maior herança de Lula foi ajudar povo a pensar com a própria cabeça

"Para além dos necessários benefícios materiais, herança de Lula também incluiu a elevação na consciência política dos brasileiros, capazes de defender seu governo num momento de tragédia absoluta no país"escreve Paulo Moreira Leite, articulista do 247. Com base numa pesquisa qualitativa, PML escreve que "a  imensa aprovação de Lula mostra que as melhoras econômicas não caminharam sozinhas, transportando outra mercadoria na bagagem, a noção da própria dignidade". Conforme o autor, mais do que distribuir vantagens de cima para baixo, "Lula estabeleceu uma relação de parceria com brasileiros e brasileiras". 

 

A oficialização, neste sábado, da sexta candidatura presidencial de Lula à presidência, terá a utilidade de construir uma oportunidade -- talvez a mais dramática -- para o país encontrar a porta de saída de uma crise de amargura infinita para a construção de um futuro favorável a maioria dos brasileiros e brasileiras.

Ao contrário da visão convencional,  construída pelos adversários ao longo de 40 anos e reforçada nos últimos meses numa tentativa de minar sua formidável demonstração de resistência, aos 72 anos Lula é uma liderança que concentra o melhor e o mais moderno das esperanças políticas -- aquelas que se apoiam em dados objetivos, fatos e números que os adversários já desistiram de contestar.

Aí se encontra uma força única, a explicação para sua onipresença na cena política embora já tenha completado mais de 100 dias de prisão em Curitiba: um povo capaz de pensar por contra própria.

Por essa razão, enquanto os antecessores vivos do Planalto se desgastaram, Lula agigantou-se.

Numa pesquisa qualitativa a que o 247 teve acesso, aquelas pessoas que  respeitosamente chamamos de povo declaram-se em estado de luto pelo país. Dizem que de uns tempos para cá se encontram "ludibriados, enganados, desrespeitados, lesados, decepcionados, desiludidos, descrentes, fracassados."  A prisão de Lula definem como: "tristeza, tristeza, tristeza".

Na vida dessas pessoas, o salário cada vez mais baixo se agrava com o preço do gás de cozinha cada vez mais alto, dificultando o elementar esforço de todos os dias, em todas as famílias, para saciar a fome.

A situação apenas reforça a noção de que os oito anos de governo Lula representaram um intervalo de "abundância, crescimento e oportunidade"  entre crises e dificuldades permanentes em séculos de história brasileira.

A certeza é que Lula "governou para eles, enquanto os outros, para os ricos". Lula também é "O Cara", enquanto os outros não despertam curiosidade e até provocam desânimo.  

Ao contrário do que sustenta uma visão elitista que tenta desenhar o retrato de um demagogo clássico, sua liderança não se alimenta de favores prestados aos governados, de cima para baixo.

A relação é de quem está próximo, em  parceria, com cada brasileiro e cada brasileira:  "Eu não devo nada para ele. Fiz minha parte, ele fez a dele. Meu filho é muito bom. Mas Lula ajudou a entrar na faculdade". 

A herança não é o paternalismo, mas a emancipação daqueles que se encontram nos degraus  debaixo  da pirâmide.  

A imensa aprovação de Lula ajuda a mostrar que os benefícios materiais conquistados não caminham sozinhos -- também transportam outra mercadoria preciosa na bagagem, a dignidade, uma forma bonita para se falar em consciência, em noção do próprio valor. Num país onde a democracia é um intervalo entre formas variadas de ditadura, cabe reconhecer que este é o ponto principal em agosto de 2018.

Num fato que contraria uma visão comum entre intelectuais, mesmo de esquerda, a persistência de Lula mostra que, além do progresso material inegável, nenhum outro fez tanto pelo avanço político dos brasileiros e brasileiras.

Nenhum foi tão perigoso para os beneficiários de uma ordem na qual tudo muda para que nada mude.

Esta é a importância da formalização da candidatura e da luta permanente pelo direito de Lula disputar a presidência.  

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