Mais uma vez, frente ampla!

"Deixar Arthur Lira (PP), o candidato de Bolsonaro e líder da banda podre do baixo clero, ganhar nesse momento seria submeter o parlamento a uma hegemonia fascista"

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Novamente estão acalorados os debates sobre a formação de uma frente ampla política-institucional que possa derrotar o bolsonarismo, desta vez na eleição da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. A esquerda, embora tenha sinalizado desta vez uma unidade de ação fechando apoio em Baleia Rossi (MDB), ressalvada a indefinição do PSOL, ainda desperta críticas na militância e de atores políticos mais sectários. 

As críticas partem do pressuposto que a esquerda ficaria a reboque da direita neoliberal e sua agenda, apoiando um candidato do MDB, que participou do golpe em Dilma Rousseff, votou na agenda neoliberal de Michel Temer e apoia o continuísmo neoliberal de Paulo Guedes. 

Estas críticas são coerentes. A direita neoliberal é responsável pelo caos político, econômico e social que vivemos, inclusive apostou em Bolsonaro como cão de guarda da agenda de desmonte do Estado, porém o fascismo bolsonarista não perdoa ninguém, nem mesmo esta direita neoliberal. Existem contradições no bloco de poder entre o fascismo e a burguesia.

Marx nos lembra que cada passo do movimento real vale mais que uma dúzia de programas. A realidade concreta está longe de ser favorável para a esquerda, só olharmos a eleição municipal. Ficamos muitas vezes isolados e o isolamento não interessa se quisermos pensar em evitar a hegemonia fascista. Hoje a principal tarefa da esquerda tem que ser vencer o bolsonarismo e isso inclui explorar as contradições que existem no seio da burguesia.

Não temos força para fazer a revolução, não temos uma esquerda conectada com as massas, vivemos um momento na história onde existe uma sistemática desconstrução do sentido do trabalho e um enfrentamento aos sindicatos de trabalhadores como forma de enfraquecimento da organização coletiva.

Cada vez mais a classe trabalhadora se fragmenta em divisões sociais do trabalho imposta pela hegemonia do capital, ao ponto de um trabalhador não se reconhecer mais como trabalhador. A ideia de empreendedorismo, faz o trabalhador acreditar que só está, naquele momento, trabalhador mas poderá um dia ser dono do seu próprio negócio, uma ilusão burguesa que desmobiliza a organização e a disputa política das classes populares. 

Neste momento a pandemia do novo coronavirus aliada a brutal desigualdade provocada pelo aprofundamento do capitalismo financeiro, provoca milhões de mortes pelo mundo, em especial no Brasil, segundo no ranking de países com maior número de óbitos provocados pela covid-19. Temos brasileiros morrendo aos milhares por responsabilidade de um governo genocida.

As sabotagens de Bolsonaro ao isolamento social, ao uso de máscaras, os atrasos propositais da vacinação, a incompetência e a inoperância do Governo Federal, já colhem mais de 200 mil corpos de brasileiros e brasileiras. Bolsonaro decidiu que não vai salvar vidas e muito menos a economia, aliás, para o Presidente da República o país está quebrado e ele não pode fazer nada.

Existe uma oposição de direita ao bolsonarismo e com ela precisamos ter acordo para recuperar o regime democrático. Um pacto que já foi possível por outras vezes quando o objetivo era expelir o autoritarismo da vida da Nação. Essa deve ser a nossa prioridade, salvar vidas, proteger empregos, defender a democracia e ter um projeto nacional.

Os nossos programas são em muito diferentes da direita neoliberal e vamos continuar disputando ideias de uma outra sociedade junto ao povo brasileiro, conscientizando politicamente as massas empobrecidas da necessidade histórica de superação do capitalismo, porém precisamos existir pelo menos nas instituições, o fascismo quer nos eliminar. A correlação de forças na sociedade reflete a aliança possível no parlamento, a esquerda não tem tamanho para liderar uma frente de oposição, a esquerda venceu eleições onde teve capacidade de ampliar as alianças nos municípios, o eleitorado claramente se posicionou entre o centro e a direita. 

Desta forma não adianta neste momento o voluntarismo altruísta ou o purismo ideológico, muito menos adianta fazer da arena política um tribunal da verdade ou um acerto de contas. A responsabilidade das forças políticas democráticas deve ser isolar o bolsonarismo e frear suas ambições autoritárias sobre as instituições, uma vez que este já está no poder. 

Bolsonaro dispõe de um arsenal de vantagens como chefe do Poder Executivo para cooptar parlamentares e induzi-los a cooperar com a base do governo. Não será tarefa fácil para a oposição vencer as eleições da Mesa da Câmara, por isso a unidade sem vacilação deve ser compromisso em torno de Baleia Rossi (MDB). A frente democrática já conta com o apoio de 11 partidos e a amplitude política necessária da esquerda à direita. Deixar Arthur Lira (PP), o candidato de Bolsonaro e líder da banda podre do baixo clero, ganhar nesse momento seria submeter o parlamento a uma hegemonia fascista.

O PCdoB reitera sua tática política adotada e seguida pelo partido desde o começo da ameaça fascista, assim como os comunistas apoiaram Rodrigo Maia (DEM) na última eleição da Mesa e sofreram ataques de setores a esquerda, o partido mais uma vez demostra na prática a disposição para unir as forças democráticas e populares para tirar o Brasil deste abismo, desta vez seguido pela maioria das forças progressistas.

Mais uma vez, frente ampla contra o fascismo!

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