Mais-valia e o egoísmo elevada à enésima potência

Como a pandemia do coronavírus nos mostra que vivemos em uma sociedade extremamente egoísta e como a mais-valia está cada vez maior e mais presente entre nós

(Foto: Reprodução)
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Olá, companheiros e companheiras? Tudo bem? Nestes últimos dias, temos visto dezenas de atos completamente surreais dentro da política e da sociedade brasileira. Medida Provisória para suspender salário de trabalhador; carretas pedindo reabertura de comércio; presidente desfilando em pleno isolamento social, entre outras aberrações. 

Entretanto, saindo um pouco do foco dos textos que escrevo aqui, que tem como objetivo levar a reflexões sobre ações que poderemos tomar, quero trazer uma reflexão diferente: como que a pandemia do coronavírus nos mostra que vivemos uma sociedade extremamente egoísta e como a mais-valia está cada vez maior e mais presente entre nós. 

Vamos por partes. Primeiro, está cada vez mais claro como que nós, trabalhadores, não passamos de números de uma planilha de excel. É completamente surreal que todas as empresas, das pequenas as grandes, não têm condições de passar dois, três meses sem demitir funcionários, diante da queda de faturamento. É preciso ser muito ingênuo para acreditar que várias delas não têm fundos para suportar a crise e manter os empregos. Isso mostra como que a mais-valia, conceitualizada por Karl Marx, está cada dia mais presente em nossas vidas. Não passamos de números, que geram lucros e mais lucros. Quando a farra do dinheiro acaba, fim do emprego. Os donos do capital não querem saber o quanto geramos de receita, só se importam em quanto de despesa vão evitar com a nossa saída. 

Como disse no texto da semana passada, sem uma política clara de distribuição de renda, o Brasil pós-coronavírus será um país à beira do colapso social, com o dobro – segundo alguns especialistas mais otimistas – do número de desempregas que temos hoje (o último levantamento do IBGE mostrou que cerca de 12,5 milhões de trabalhadores não têm emprego). Entretanto, nem o governo federal, nem os empresários pensam na classe trabalhadora que, mais uma vez, vai sofrer com uma crise econômica. 

Por outro lado, além do desprezo dos empresários pelo emprego, temos uma outra situação bastante clara: nunca antes na História deste país vivemos tempos de tanto egoísmo. As “carreatas da morte” pedindo a reabertura dos comércios e a falta de respeito pelas políticas de isolamento para evitar o avanço do novo coronavírus mostram como que parte da sociedade brasileira olha para o próprio umbigo. 

As constantes falas de empresários dizendo que “cinco ou sete mil morrendo não são nada” e que a “economia não pode parar”, demonstram, claramente, que o dinheiro está acima da vida. Que o capital, hoje, é o bem mais precioso da sociedade contemporânea. Só que estes mesmos esquecem que todo o acúmulo só foi possível graças a Estados benevolentes com o baronato financeiro-empresarial e pela mão de obra de milhares de trabalhadores. Ou seja, a riqueza só é gerada através do proletário. Sem nós, a dita elite econômica, não é nada. 

O mundo pós-coronavírus não será o mesmo. Haverá mudanças em todas as esferas. Na área da saúde, na trabalhista, na econômica e na social. Mas, neste mundo, precisamos lutar por uma reorganização da classe trabalhadora, para encarar os novos desafios, e também para um mundo mais humano, onde há o respeito pela vida e pelas pessoas. Onde morrer para salvar a economia seja algo abominável. Onde carreatas sejam feitas para preservar a vida. E onde os trabalhadores não sejam números de uma planilha. 

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