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Ricardo Mezavila

Escritor, Pós-graduado em Ciência Política, com atuação nos movimentos sociais no Rio de Janeiro.

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Make Venezuela Great Again?

Entre a retórica imperial de Trump, a resistência bolivariana e a incerteza geopolítica sobre o futuro da Venezuela

Donald Trump - 3/1/2026 (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)

Ainda sobre os efeitos do “eu não estou entendendo” e de “Trump deu um grande passo para tomar a América Latina”, vamos construindo diagnósticos em cima de pedras contraditórias.

Com o sequestro de Nicolás Maduro, seria óbvio que a oposição venezuelana tivesse o apoio dos EUA. A maior opositora de Maduro, María Corina, foi descartada para suceder o líder bolivariano.

A atual vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, parece ser a escolhida por Donald Trump para dar continuidade ao governo. Segundo Trump, ela manifestou vontade de cooperar com Washington.

Não foi o que manifestou Delcy logo após o anúncio do sequestro: “O Governo Bolivariano convoca todas as forças sociais e políticas do país a ativarem os planos de mobilização e a repudiarem este ataque imperialista. O povo da Venezuela e sua Força Armada Nacional Bolivariana, em perfeita fusão popular-militar-policial, encontram-se mobilizados para garantir a soberania e a paz”.

Na convocação, transmitida pela TV estatal, Delcy, em nenhum momento, demonstrou estar de “joelhos” para Trump. Citou o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que “não permite legítima defesa contra um ataque não realizado”.

Delcy, em seu discurso, afirmou que o único presidente da Venezuela é Nicolás Maduro. E finalizou citando o Comandante Supremo, Hugo Chávez: “perante qualquer circunstância de novas dificuldades, do tamanho que forem, a resposta de todos e de todas as patriotas… é unidade, luta, batalha e vitória”.

E aí, assume ou não assume? Trump, após afirmar preferência por Delcy, disse que os EUA fariam um governo de transição. E, na maior cara de pau, confessou que a ação foi para explorar petróleo por meio das empresas americanas. Além de sequestrador, também é ladrão confesso.

Vai ficar assim mesmo? A Rússia está envolvida com sua guerra particular; a China não quer se envolver em guerras; a Europa está enfraquecida; a América Latina está dividida; e a ONU é impotente. Como a Venezuela vai lidar com a invasão?

Praticamente todos os articulistas e especialistas em geopolítica não sabem a resposta. Grande parte acredita que o momento é perfeito para a aplicação da Doutrina Monroe.

Com toda humildade de expressão, eu não acredito em bravatas e bravateiros. Donald Trump não sabe como conduzirá o crime que cometeu para dar ares de legalidade. Talvez use seu velho método de recuar diante de mais uma bazófia.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.