Mandetta x Guedes na crise do coronavírus

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Mandeta está com medo de peitar Paulo Guedes? A ausência de infraestrutura urbana de saúde requer gastos públicos em grandes quantidades. As armações orçamentárias que Guedes articula para enfrentar o coronavírus não fazem nem cosquinha. Grana curta, menos de R$ 150 bilhões. Milhões de pessoas atingidas, reconhece o ministro Mandeta, vão ao mesmo tempo pressionar a carente infraestrutura sanitária brasileira. Colapso inevitável.

Diante dessa situação de clara insuficiência de oferta de saúde, o governo vai continuar falando em economia para não gastar e fazer ajuste fiscal, como quer o pessoal do Ministério da Fazenda? Ou o país vai, logo, urgente, encomendar da China hospitais que podem ser montados e desmontados, como os chineses desenvolveram? Não seria a oportunidade para matar dois coelhos com uma só cajadada: garantir hospitais e técnicos de saúde para o povo, de um lado, e exportações de grãos para os chineses, de outro, aprofundando comércio bilateral?

O ajuste fiscal vai ganhar a narrativa sobre a demanda estatal para atender o social, urgente?

DE ONDE SAIRÁ O DINHEIRO?

O ministro Mandeta não aprofundou o debate ao ponto de falar sobre onde será necessário arranjar dinheiro para atender o social antes de satisfazer o interesse do mercado, como está acontecendo. O governo vai continuar privilegiando o setor financeiro, nos gastos orçamentários, enquanto minguam os recursos para os setores sociais?

Como que pedindo desculpa a Paulo Guedes, Mandeta, diante da situação dramática do setor de saúde, disse que agirá com responsabilidade, na questão financeira. O que isso significa? Sintonizar com a demanda de Paulo Guedes, que trabalha para o mercado, ou com a da população, que não quer saber de perguntas, mas de respostas objetivas, que requerem aumento de gastos?

Chegou, portanto, a hora fatal de discutir o maior gargalo da economia: congelamento dos gastos sociais por 20 anos e mandamento constitucional, como cláusula pétrea, para garantir pagamento do serviço da dívida, quando todas as demais categorias sociais reclamam renegociações de suas dívidas.

PRIVILÉGIOS MANTIDOS?

Por que manter o privilégio dos credores diante do sacrifício adicional dos devedores - governo, famílias, empresas etc - por conta do coronavírus que pára tudo?

Mandeta se mostra acanhado quando tem que defender mais recursos para a saúde e sai com essa de que não contrariará as ordens de Paulo Guedes.

Aparentemente, deixou essa no debate sobre o momento nacional em que compareceu staff governamental para debater os desdobramentos sinistros do coronavírus.

Certamente, no debate interno governamental, dramático, para resolver essa questão, a verdade terá que ser colocada.

Vai ser o momento extremo de Paulo Guedes.

Se ele ganhar a parada, a sociedade perde.

Bolsonaro será chamado então a se definir em favor de Guedes ou da sociedade.

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