Mapa da corrupção

Que seja dado um basta à corrupção, mas com uma varredura geral, pelo menos a partir de Vargas, com nomes aos bois

Que seja dado um basta à corrupção, mas com uma varredura geral, pelo menos a partir de Vargas, com nomes aos bois
Que seja dado um basta à corrupção, mas com uma varredura geral, pelo menos a partir de Vargas, com nomes aos bois (Foto: Daniel Macedo)

O Ministério Público (MPE e MPF) lançou anteontem uma campanha nacional de combate à corrupção, uma iniciativa que deverá atingir a população para a reflexão de um novo modelo nacional de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro. Atitude louvável dos mui ínclitos representantes do parquet, uma das raras instituições que ainda funcionam no país, onde a corrupção grassa os poderes. As discussões que ocorrem em todo o País já levantaram 19 propostas de aperfeiçoamento das leis, que passam por um inquérito policial eficiente, pela extensão de domínio (mesmo quando o autor do crime morre, precisa existir forma de se repatriar o dinheiro público), pelo fim da prescrição de crimes.

Concordamos em gênero, número e grau com os excelsos paladinos da lei e da ordem, integrantes do quarto poder, quando dizem que as leis são tão amplas no reino tupiniquim que permitem dilações de prazos e, nos crimes do colarinho branco, não é raro a prescrição dos crimes afetos a esta corja. Óbvio que a maioria dos parlamentares, mas com a vênia permissa, discordamos quando se diz que o ilustre Eduardo Cambi, coordenador do movimento do MPE no Paraná, diz que por conta da pressão social, tem se dado conotação especial contra crimes de corrupção.

Na lide advocatícia em São Paulo, constatamos a dedicação do judiciário e dos MPs no combate à criminalidade, independente de pressões da mídia, nem sempre real e ou social, idem. Claro que Cambi tem toda razão quando defende uma reforma das atuais leis de combate à corrupção, regulamentando da denúncia anônima, impedindo que os ritos processuais desqualifiquem os crimes que efetivamente foram cometidos.

Cá pra nós, Excia, bem mais importante a denúncia anônima que as deslavadas delações premiadas, sujeitando o poder judiciário a negociar com bandidos da pior espécie, uma aberração na legislação do patropi, convenhamos. Razão também lhe sobra quando conclui, e com sapiência jurídica, que o povo e os poderes não podem mais serem reféns do próprio sistema, sob pena de remar contra a maré. Veja o caso do italiano Pasquale Scotti, condenado à prisão perpétua por ligação com a máfia, foi preso no Recife na terça-feira (26), mais de vinte anos depois de ser condenado pela Justiça de seu país. Fosse no Brasil, seria crime prescrito, como o caso da Pasta Rosa em 1995, quando uma auditoria no Banco Econômico encontrou um dossiê com documentos que indicavam a existência de um esquema ilegal de doação eleitoral e a distribuição ilegal de US$ 2,4 milhões dos bancos a 45 políticos que se candidataram nas eleições de 1990.

Sem falar no escândalo da reeleição de FHC e de dezenas de outras broncas jogadas debaixo do tapete, num brindeiro à corrupção impune, somando-se aos bilhões do Banestado, do Vampiros da Saúde, dos Anões do Orçamento, do Navalha na Carne e do Sudan, (leia-se Raytheon) só pra enumerar alguns. Quase, se não passar, de R$ 50 bilhões, fichinha perto do Lava-Jato e que seria bom ilustrar a campanha dos nobres Representantes do Parquet, numa explanação geral acerca da maldita corrupção, vírus incrustado em nosso meio político, há décadas.

Não teria sido por acaso que nosso futebol, no ano passado, cinquenta anos depois, voltou a perder no Maracanã, e de goleada, na Copa, cujos atores do teatro de operação foram presos pelo FBI na Suíça, não é mesmo? Aqui, eles sempre foram heróis da torcida cucaracha e da cartolagem sombra. Portanto, senhores desta lidima campanha, que seja dado um basta à corrupção, mas com uma varredura geral, pelo menos a partir de Vargas, com nomes aos bois.

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