Marcha da Família contra Dilma e contra a constituição

"Por que os organizadores resolveram chamar o evento de domingo de protesto 'contra a corrupção' e não 'pela deposição da presidente Dilma', que é o verdadeiro motivo? Primeiro porque assim vão atrair mais gente. E a malandragem é que esse volume de gente na rua vai aparecer nos jornais do dia seguinte como os que rejeitam a presidente, engrossando o caldo dos que defendem o impeachment", escreve Alex Solnik, colunista do 247

www.brasil247.com - "Por que os organizadores resolveram chamar o evento de domingo de protesto 'contra a corrupção' e não 'pela deposição da presidente Dilma', que é o verdadeiro motivo? Primeiro porque assim vão atrair mais gente. E a malandragem é que esse volume de gente na rua vai aparecer nos jornais do dia seguinte como os que rejeitam a presidente, engrossando o caldo dos que defendem o impeachment", escreve Alex Solnik, colunista do 247
"Por que os organizadores resolveram chamar o evento de domingo de protesto 'contra a corrupção' e não 'pela deposição da presidente Dilma', que é o verdadeiro motivo? Primeiro porque assim vão atrair mais gente. E a malandragem é que esse volume de gente na rua vai aparecer nos jornais do dia seguinte como os que rejeitam a presidente, engrossando o caldo dos que defendem o impeachment", escreve Alex Solnik, colunista do 247 (Foto: Alex Solnik)


Por que os organizadores resolveram chamar o evento de domingo protesto "contra a corrupção" e não "pela deposição da presidente Dilma", que é o verdadeiro motivo?

Primeiro porque assim vão atrair mais gente. Tem muito mais gente contra a corrupção do que contra o governo, isso é evidente. Aliás, todo mundo é contra a corrupção.

A malandragem é que esse volume de gente na rua vai aparecer nos jornais do dia seguinte como os que rejeitam a presidente, engrossando o caldo dos que defendem o impeachment.

Nem todos ali rejeitam o governo – apenas a corrupção – mas serão utilizados como número para justificar o impeachment no plenário da Câmara do Cunha, ops, dos Deputados.

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Eles não estão inovando nada. No dia 19 de março de 1964 multidões invadiram as ruas de São Paulo, lideradas pelas mesmas forças conservadoras da política, da mídia, da religião e do empresariado sob o slogan "Marcha da Família com Deus pela Liberdade".

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Ora, quem vai ser contra a família? Contra Deus? Contra a liberdade?

Um milhão de ovelhas foram às ruas. E somente 12 dias depois souberam que foram usadas como massa de manobra para justificar o golpe militar de 31 de março. E ajudaram a derrubar o presidente eleito João Goulart, abrindo as portas para 21 anos de terror político e atraso cultural, social e econômico.

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Mas há um segundo motivo para eles disfarçarem o verdadeiro objetivo da marcha. É que derrubar governo não é permitido pela constituição brasileira.

O artigo 136 do Título V, "Da defesa do estado e das instituições democráticas" faculta ao presidente da República, sem, nas primeiras 24 horas necessitar de autorização do Congresso Nacional decretar o "estado de defesa", durante a vigência do qual, dentre outras medidas que garantam a continuidade do governo eleito, podem até ser presos os que conspiram contra as instituições democráticas.

Um instrumento semelhante, porém mais radical, o "estado de sítio" permitiu o desmantelamento, em 1955, da conspiração que tentava impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitcheck e de seu vice, João Goulart. Alegavam os conspiradores, dentre os quais o presidente no poder, Carlos Luz que eles não deviam assumir por não terem obtido mais de 50% dos votos, o que na época não era exigido.

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Embora tenham perdido no STF, que confirmou a legitimidade dos eleitos, os conspiradores não se conformaram e só foram barrados quando o então ministro da Guerra, Marechal Lott, valendo-se do estado de sítio afastou manu militari o presidente Luz, que se escondeu no navio Almirante Tamandaré para não ser preso e nomeou o presidente da Câmara, Nereu Ramos, que não estava na conspiração em seu lugar e que passou a faixa a JK.

Os organizadores poderiam ao menos dar ao protesto o seu verdadeiro nome. Algo como "Marcha da Família contra Dilma e contra a Constituição".

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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