Marília Arraes e o déficit de organicidade da política brasileira

O Partido dos Trabalhadores aceitou ser utilizado (interessadamente, é claro, na retomada da Prefeitura do Recife, em 2020) e agora é a vez do Solidariedade

www.brasil247.com - Marília Arraes
Marília Arraes (Foto: Divulgação)


A trajetória partidária da deputada federal Marília Arraes é um caso paradigmático do déficit de organicidade existente na política brasileira. Os cientistas políticos de matriz weberiana podem encontrar na suas idas e vindas pelo PSB, PT e, agora, o Solidariedade do Paulinho da Força Sindical, uma particular mistura típico-ideal entre familismo e personalismo.

Longe de ser uma excepcionalidade entre nós, tal mistura expressa as dificuldades de natureza estrutural que nos fazem padecer numa geleia geral partidária, na qual a quase totalidade das agremiações políticas são utilizadas como meros instrumentos de realização dos interesses privados na arena pública, herdados do nosso passado patrimonialista.

Nesse sentido, do meu ponto de vista (que não passa da vista de um ponto), Marília Arraes e o atual prefeito do Recife, João Campos, possuem muito mais semelhanças do que diferenças, à medida em que representam não uma disputa entre dois projetos político-programáticos dissonantes, mas sim um conflito intrafamiliar em torno do “espólio simbólico” de Miguel Arraes.

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João venceu essa disputa, cacifado pela morte trágica e repentina de seu pai, o ex-governador Eduardo Campos, e sua prima Marília vaga por partidos que aceitem acolher o seu sentimento visceral de revanche. O Partido dos Trabalhadores aceitou ser utilizado (interessadamente, é claro, na retomada da Prefeitura do Recife, em 2020) e agora é a vez do Solidariedade.

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Enquanto isso, em termos imediatos, a candidatura do ex-presidente Lula parece não correr risco algum na sua terra natal, pois, no ato de filiação há pouco realizado, Marília e Paulinho sentaram-se lado a lado numa mesa tendo às costas um grande painel vermelho alaranjado em que, junto ao lema “Marília com Lula”, resplandece uma foto dos dois.

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A primeira aparece com um largo sorriso estampado no rosto, como em 2020, e o segundo com uma expressão levemente simpática – ou será discretamente constrangido? – em função do apoio oficial, seu e do PT, ao candidato a governador da Frente Popular, o deputado federal do PSB, Danilo Cabral.

Seja como for, num momento da história brasileira em que, mais do que nunca, necessitamos de estruturas partidárias sólidas, que distingam as esquerdas dos movimentos feitos pelo capitão reformado hoje abrigado no PL, a política pernambucana encontra-se envolta num tipo de disputa que reatualiza o nosso passado familista.

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