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Ediel Ribeiro

Jornalista, cartunista e escritor

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Mariza… e depois a maluca sou eu!

Mariza Dias ria muito. Sempre foi muito louca

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Rio – A cartunista e ilustradora guatemalteco-brasileira, Mariza Dias foi uma artista diferenciada e única.

Quando nos conhecemos, no final dos anos 70, na redação do Pasquim - em uma de suas vindas ao Rio - eu não bebia nada, ela já bebia muito. Magricela, pernas finas, estava sempre com um copo e um cigarro nas mãos. 

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Ria muito. Sempre foi muito louca.

Todo mundo, como você e eu, tem suas listas de melhores em cada arte. Nossos ídolos. Para mim, os maiores ilustradores brasileiros são Marcelo Monteiro, no Rio de Janeiro (O Globo) e Mariza Dias, em São Paulo (Folha de São Paulo).

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Mariza Dias Costa, nasceu em 16 de outubro de 1952, na Guatemala. Filha do diplomata Mário Dias Costa ( tempo em que para ser diplomata era preciso mais do que fritar hambúrguer), mentor do seminal show da Bossa Nova, no Carnegie Hall, em Nova Iorque.

Autodidata, criou um traço ambíguo, ousado e perturbador, no limite da expressão arte/loucura. 

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Era uma mulher de uma vasta cultura. Viveu em países como Suíça, Peru, Itália, França, Paraguai e Iraque. Falava português, inglês, francês, italiano, espanhol e se virava bem em árabe e grego. 

No tempo em que havia pranchetas no centro das redações, Mariza, uma apaixonada por gatos,  entrava pelo jornal fazendo um barulho, como um miado de gato assustado, bem alto, que arrancava gargalhadas de todos. Era divertida.

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Trabalhou nos jornais “Opinião”, “Pasquim”, “Folha de São Paulo” e nas revistas “MAD” e “Circo”. 

Fez frilas em diversos outros.

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No Pasquim, no final dos anos 70, conheceu Paulo Francis. A parceria iniciada no semanário carioca, migrou para as páginas da "Ilustrada'', na “Folha de São Paulo”, em 1979, quando Mariza se mudou para São Paulo. 

Toda quarta e sábado, Francis escrevia metade da página e a arte vigorosa e explosiva de Mariza ocupava a outra metade. Figuras de dentes expostos e olhos esbugalhados, saltavam da prancheta da artista para as páginas de "O Diário da Corte”, entre 1978 e 1990. No final dos anos 90, Mariza passou a ilustrar, também, a coluna de Contardo Calligaris.

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Teve um único filho, Diogo, que nasceu com problemas incuráveis de malformação cardíaca. Com dois anos e meio, depois de muita luta, Diogo faleceu. Mariza mergulhou em uma depressão sem fim. 

Da mesma época é o convívio mais intenso com as substâncias capazes de provocar alterações de estado de consciência, como maconha, cocaína, LSD, Mandrix e até o crack. Qualquer coisa era consumida avidamente. 

Na fase mais grave do vício, sem dinheiro, Mariza percorria as mesas da redação da Folha oferecendo aos repórteres e editores os originais de suas artes, por 20 reais, ou o que você pudesse oferecer.  

Sempre às voltas com problemas financeiros, ainda assim, Mariza sempre doce, gentil e generosa, oferecia jantares e nunca negava ajuda aos amigos que precisavam. O amigo e editor Toninho Mendes, foi hóspede durante um bom tempo em sua casa, na Vila Anglo Brasileira, em São Paulo. 

A pessoa que mais ajudou e batalhou pelo reconhecimento da Mariza, além de cuidar dela como um irmão, amigo e às vezes um pai foi o Orlando Pedroso. “Ela foi um divisor de águas em termos de ilustração nos jornais brasileiros. Para mim, a ilustração brasileira se divide entre A/M e D/M. Antes e depois da Mariza.” - dizia Orlando Pedroso.

Fã e amigo, Orlando Pedroso, editou, junto com Toninho Mendes, antes de sua morte - em São Paulo, no dia 29 de março de 2019 - o livro “E Depois a Maluca Sou Eu”, uma coletânea de  trabalhos de Mariza, publicados na imprensa. 

Foi o melhor presente que Mariza ganhou na vida!

*Ediel Ribeiro é jornalista, cartunista e escritor.

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