Massa de manobra, classe média se repete como farsa

A manifestação da Paulista apenas se repetiu - mais nanica, ou "menos gigante", digamos assim -, de modo farsesco e até burlesco, se me permitem

A manifestação da Paulista apenas se repetiu - mais nanica, ou "menos gigante", digamos assim -, de modo farsesco e até burlesco, se me permitem
A manifestação da Paulista apenas se repetiu - mais nanica, ou "menos gigante", digamos assim -, de modo farsesco e até burlesco, se me permitem (Foto: Lula Miranda)
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Se você é um leitor atento, percebeu que o título desse artigo faz uma síntese de duas famosas frases-clichê de Karl Marx. E se você for um(a) "coxinha" esperto(a), vai perceber que esse lance de começar artigo citando Marx é "casca de banana" para derrubar indivíduos da "subelite", reacionária e ignorante. Ou seja: você não vai cair nessa - não é mesmo? Outra: fique tranquilo, não se assuste com fantasmas. Marx está morto, e devidamente enterrado, no cemitério Highgate, na cidade de Londres. Não carece violar o túmulo ou exumar o cadáver.

Caindo ou não, escorregando ou não, fato é que boa parte da classe média, mais ou menos endinheirada, não deixou a peteca – e outros badulaques - cair. Desnudou-se, colocou a bunda, as vergonhas e os seios pra fora, travestiu as suas mais diversas, e por vezes grotescas, fantasias; vestiu a camisa da CBF e saiu por aí. Foi se manifestar na avenida paulista, em maior número [o Datafolha estimou 135 mil pessoas, o que, convenhamos, não é pouco], mas em muito menor número, por alguns bairros de ricos em grandes cidades pelo país. Aí a contagem ficou abaixo da crítica, e do risível.

Cá entre nós, destampou-se a caixa de Pandora. Nunca vi tanto celerado e maluco desfilando impunemente. Mas sou um defensor da lei antimanicomial: prefiro os loucos desfilando na Paulista e colocando para fora sua bravatas insanas do que deprimidos, encarcerados e dopados em hospícios.

Acaba de passar o corso do sanatório geral! Já passou. É passado.

Mas nem todos são loucos e ridículos no grande e vexatório desfile dos reacionários militantes. Tem gente que vai tangido. E desavisado. Tem gente que vai na onda, no estouro da boiada, encantados e manietados pela pútrida flauta mágica da grande mídia de negócios, negociantes e negociatas.

A despeito de tudo isso, como já alertei em artigo anterior, a cidade e o estado de São Paulo já não servem como exemplo para o resto do país. Isto também é coisa do passado. SP está ficando para trás. E, junto com a ex-locomotiva/ex-máquina, está ficando para trás também a sua elite rastaquera e desavisada, "sem loção".

A manifestação da Paulista apenas se repetiu - mais nanica, ou "menos gigante", digamos assim -, de modo farsesco e até burlesco, se me permitem.

E essa não é apenas a minha opinião não. Vejam o que diz uma pesquisa coordenada pelos professores Esther Solano, da Unifesp, e Pablo Ortellado, da USP, e pela pesquisadora Lucia Nader, da Open Societ: "O movimento não consegue agregar pessoas e grupos sociais com pautas diferentes", diz Esther. Dos 390 entrevistados, 57% são homens, 64% têm ensino superior e 73% se declaram brancos. Para ela, o protesto é "socialmente excludente" e a periferia não se identifica com ele [trecho retirado da coluna de Mônica Bergamo, da "Folha" do último dia 18.8].

Mais um dado a ser considerado: o Datafolha nos informou ainda que algo em torno de 65% das pessoas que foram à manifestação são consideradas de "alta renda" – numa margem de rendimentos que vai de R$4.000,00 a mais de R$15.000,00. Trata-se, novamente, mais uma vez, revelam os dados das sondagens de campo, de um cortejo - em grande medida, convenhamos, grotesco - da chamada "elite branca". Ou "subelite", conforme batizei.

Ou seja: os trabalhadores e as classes menos abastadas não apoiam essas manifestações golpistas que pregam o impeachment da presidenta Dilma. Mas todos, sem exceção, são contrários à corrupção. Eu também. Você, com certeza, também. Não é mesmo?

O "detalhe" é que o problema em pauta não é exatamente a CORRUPÇÃO. Porque, cá entre nós, não existe parcela da população mais comprometida e acumpliciada com a corrupção do que os indivíduos de "alta renda" e baixa(o) moral que desfilaram seu ódio e indignação na avenida Paulista, e em outros bairros elegantes. Curiosamente, os que acorreram, em maior número e ímpeto, à manifestação.

Curioso, não?

A verdade, para além do mundo das aparências que a classe média consegue enxergar - mas isso não vai sair, decerto, na revista "Veja", tampouco nos noticiários da TV Globo -, é que querem derrubar/impedir Dilma exatamente pelo fato de ela estar combatendo a corrupção.

Pois a verdade verdadeira é que a presidenta Dilma demitiu previamente os citados, investigados e condenados na "Operação Lava Jato" e conseguiu, com a ajuda da PF e do MP, estancar o "propinoduto" que fornecia o "pixuleco" nosso de cada dia para os grandes grupos de mídia e para os congressistas "achacadores", já denunciados em alto e bom som, pelo irmão do Ciro Gomes, o Cid Gomes. Isto, diga-se, ele disse na cara deles, da tribuna do Congresso. Mas isso a nossa hipócrita classe média fez de conta que não ouviu.

Faz de conta. Pura farsa.

Ou seja: a classe média, massa de manobras, repete-se, como farsa.

C.Q.D.

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