Mauro Nadvorny não foi censurado pelo Brasil 247

O colunista Mauro Nadvorny alega ter sido censurado por mim porque vetei a publicação em que ele celebrava a morte do general iraniano Soleimani. Seu artigo, baseado no seu etnocentrismo, poderia ser resumido numa frase: "bandido bom é bandido morto". Se permitíssemos sua publicação, estaríamos dando voz ao discurso fascista, que Nadvorny diz combater

(Foto: Reuters)
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O empresário Mauro Nadvorny, que faz parte do grupo Resistência Democrática Judaica e já publicou dezenas de artigos no Brasil 247, além de ter participado de alguns vídeos comigo no canal da TV 247 no Youtube, alega, neste sábado, ter sido censurado por mim, no dia de ontem, em artigo publicado em sua página no facebook.

Isso porque solicitei a exclusão de um de seus artigos, publicado ontem, em que ele celebrava o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani, ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Seu artigo se chamava "Um ser do mal a menos no mundo" e dizia, na primeira frase, que "acordamos em um mundo um pouco melhor para se viver".

Quando fui alertado sobre o artigo, solicitei sua exclusão por um motivo óbvio. Nenhum veículo de comunicação que se pretenda progressista e humanista pode celebrar a morte ou o assassinato de quem quer que seja. Alega Mauro Nadvorny que o general ameaça a sua existência. Do mesmo modo, milhões de iranianos e palestinos também poderão alegar que Donald Trump e Benjamin Netanyahu ameaçam as deles. Nem por isso toleraremos, em nossas páginas, que suas mortes, quando vierem a ocorrer, sejam comemoradas.

Nadvorny alega que seu artigo poderia ter sido publicado desde que deixássemos claro que se trata de sua posição – e não da nossa. Mais uma vez ele está equivocado. Seu texto só poderia ser publicado no Brasil 247 se não houvesse aqui qualquer princípio editorial. Aliás, ele próprio se recorda de um texto que foi excluído no passado porque era ofensivo aos judeus e também havia sido publicado inadvertidamente. Neste caso, o autor reconheceu seu erro e não nos acusou de censura.

Mauro Nadvorny considera o general Qasem Soleimani um carniceiro e um potencial exterminador dos judeus. Milhares de manifestantes iranianos que saíram às ruas pensam de modo diferente. Seu artigo, baseado no seu etnocentrismo, uma visão de mundo característica de quem considera o seu grupo étnico, nação ou nacionalidade socialmente mais importante do que os demais, poderia ser resumido numa frase: "bandido bom é bandido morto". Se permitíssemos sua publicação, estaríamos dando voz ao discurso fascista, que Nadvorny diz combater.






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