Mayra Pinheiro: a Capitã Cloroquina do general Pazuello e do capitão Bolsonaro

A secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro
A secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro (Foto: Reprodução | Divulgação)
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Por Davis Sena Filho

A Capitã Cloroquina teve parentes contaminados pela Covid-19, uma tia dela faleceu por causa da doença, sendo que ela também foi contaminada. Então, vamos à pergunta: Mayra Pinheiro não aprendeu nada?

"Todas as atividades que foram demandadas inicialmente foram feitas por mim, porque foi delegada essa competência pelo ministro da Saúde (Eduardo Pazuello)" — Mayra Pinheiro, a "Capitã Cloroquina", a ocupar e responder pelo cargo de secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde (STGES), a depor no MPF-AM sobre a atuação desastrosa no combate à Covid-19 do Governo Bolsonaro no Amazonas e em Manaus.

Mayra Pinheiro é cearense de Fortaleza, milita no campo da direita, é médica e foi candidata derrotada a senadora pelo PSDB, em 2018. Aliás, o Ceará foi o único dos nove estados nordestinos onde Jair Bolsonaro foi o mais votado nas eleições presidenciais de 2018. Fernando Haddad, candidato do PT, venceu em oito estados do Nordeste. Conhecida como "Capitã Cloroquina", Mayra confessa que organizou missão para difundir a droga no Estado do Amazonas.

Como se percebe, a médica que serve a um governo de extrema direita e tratado como pária pela comunidade internacional organizou péssimas ações de combate à Covid-19, em Manaus, dias antes do colapso na Saúde, quando faltou oxigênio para os pacientes, insumos, vacinas, logística, estrutura hospitalar e pessoal para combater a propagação exponencial da doença, que transformou Manaus e cidades circunvizinhas em cemitérios a céu aberto.

A pediatra Mayra Pinheiro não está de brincadeira quando se trata de combater os programas sociais, principalmente aqueles que aproximam os médicos da população pobre e desassestida, que foi esquecida pelo Estado brasileiro e são a essência do Brasil profundo, onde a medicina dos médicos coxinhas brasileiros, que consideram a medicina como um grande negócio a ser explorado e, com efeito, elitizado, de forma que o sistema privado tenha a prioridade em relação às prioridades do Estado, que passa a ser apenas um repassador de recursos orçamentários para que médicos e empresários forrem seus bolsos de dinheiro,

A verdade é que o SUS sempre foi sabotado em todos os sentidos até que surgisse como uma tempestade que pega todo mundo de surpresa em forma de pandemia do Novo Coronavírus, o que fez as pessoas contrárias ao SUS tomarem vergonha na cara, sendo que muitas delas hoje (empresários, políticos, artistas, classe média e média alta e ricos) estão a cantar loas ao SUS, como se vê nos meios de comunicação, pois perceberam que a medicina privada não tem estrutura, é incompetente, bem como não pesquisa e não investe em ciência. Quem investe é o Estado, por intermédio de seus órgãos de saúde e das universidades públicas.

Porém é bastante salutar informar que a pediatra Mayra Pinheiro foi presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, sendo que durante seu mandato aceitou convite do Governo Bolsonaro para assumir cargo na STGES do Ministério da Saúde. Talvez a escolha da Capitã Cloroquina para assumir cargo tão importante em âmbito nacional seja devido sua atuação contra o programa de inclusão Mais Médicos, que levou os profissionais de saúde para atender a população que habita o Brasil profundo, sendo que os moradores de muitas cidadezinhas e distritos nunca tiveram a oportunidade de serem examinados por um médico.

Trata-se da ovelha em pele de cordeiro, que serviu como instrumento para extinguir o Mais Médicos e não colocar, na verdade, nada no lugar, pois agente de um desgoverno incompetente, de ações perversas, determinado a desmontar o Estado e todos os programas de inclusão social, o que já foi feito nos últimos cinco anos e meio, por intermédio dos governos pós-golpe de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Esses governos de direita e de extrema direita inviabilizaram o atendimento médico à população mais carente e fecharam 8.300 vagas ocupadas por médicos cubanos, profissionais que são de um país cuja medicina é reconhecida internacionalmente como uma das melhores do mundo.

Entretanto, a médica coxinha e agora bolsominion extinguiu o Mais Médicos e fala dos médicos cubanos como se ela fosse uma profissional de saúde melhor e mais competente do que eles. Evidentemente que não é, porque nem Mayra Pinheiro e a maioria dos médicos brasileiros não seguem o juramento de Hipócrates.

Eles apenas repetem tais palavras mecanicamente e com desprezo quando se formam, bem como já pensam em abrir um clínica particular ao tempo em que prestam concursos públicos para terem estabilidade no emprego, apesar do pensamento privatista e dinheirista de grande parte dessa categoria, que deveria se comportar como trabalhadora, mesmo a ganhar dinheiro e ter sucesso na vida profissional.

Então, vamos ao lamentável episódio que define bem quem é Mayra Pinheiro. Em 2013, ela era um dos inúmeros médicos que estavam presentes no aeroporto de Fortaleza para vaiar e xingar os médicos cubanos, em uma intolerância e macartismo político que tinha por finalidade, dentre outras questões draconianas, garantir também o monopólio do emprego aos médicos brasileiros. Essa gente é privatista e a favor do mercado aberto (para os outros, logicamente), mas não mexam em seus benefícios e privilégios. Ponto!

Mayra, a vaiadora de médicos cubanos, a exemplo da classe média e média alta brancas brasileiras, demonstrou todo seu preconceito, elitismo e sectarismo para que os médicos cubanos se sentissem constrangidos e repreendidos, o que seria uma estratégia dessa turba plena de ódio em forma de vaias, preconceitos e xingamentos para que os cubanos aprendessem a se colocar nos seus devidos lugares e terem apenas como opção voltar para Cuba.

Anos depois, a médica que trata a medicina como negócio para ter ascensão social, tal qual muitos de seus colegas, assume cargo de relevância no Ministério da Saúde e participa do maior desastre sanitário e de saúde que um governo poderia fazer contra sua própria população. Ela admitiu ao MPF do Amazonas que estava à frente da formação de uma comitiva de médicos cujo objetivo era difundir o Kit Covid composto por medicamentos sem comprovação científica para combater a doença, que já matou mais de 420 mil brasileiros e transformou Manaus em um imenso cemitério.

Toda essa irresponsabilidade e ausência de empatia e respeito pela vida humana aconteceu antes de o sistema de saúde de Manaus entrar em colapso, ou seja, ao invés dessa senhora sem noção e seu chefe, o general Pazuello, organizarem um plano estrutural e logístico para combater a Covid-19, eles resolveram apostar em um kit covid, composto, como afirmei antes, por medicamentos que comprovadamente não combatem a doença.

Cadeia para essa gente irresponsável é pouco!

A Capitã Cloroquina disse ainda para os procuradores do MPF que Pazuello, o general fujão, determinou que ela organizasse um plano com médicos voluntários às unidades de saúde, cujo propósito era elaborar tratamentos alternativos para combater a covid. Não é lamentável, cara pálida? Afinal, a Capitã Cloroquina é médica e sabe muito bem que as únicas alternativas para que a covid não se espalhe de forma letal são, a seguir: 1- Vacinação em massa; 2- Distanciamento entre as pessoas; 3) Uso de máscara; 4- Uso de álcool 70°; e 5- Sensatez e responsabilidade.

E tudo isso, como se vê e percebe, o desgoverno de extrema direita não fez e não quer fazer, além de insistir em medicar a população brasileira com medicamentos que não protegem e não curam as pessoas que foram infectadas pela covid. Vacinação em massa é a solução.

Agora, vamos à pergunta que não quer calar? A Capitã Cloroquina Mayra Pinheiro enloqueceu? Não. Ela é ignorante sobre medicina? Não. Então por que Mayra, como médica, age de maneira tão perniciosa e irresponsável? A resposta é fácil: Ela é bolsonarista, de direita, elitista, sectária e considera que o mundo é para poucos viver com conforto e dignidade. É a lógica dessa gente, desde os tempos do Brasil colônia. Cadeia para todos os capitães cloroquina! É isso aí.

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