MDB ameaça com candidatura própria em Minas com receio de Dilma ser candidata ao Senado

"Ao responder ontem a uma nota do jornal belo-horizontino O Tempo, que o citava como pleiteando uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, o deputado Adalcléver Lopes, presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, acabou revelando o que, por aqui, já se comentava há dias: ele é postulante ao cargo de governador de Minas", diz o colunista Carlos Liindemberg; segundo ele, Adalcléver teria se sentido "atropelado" pelo lançamento da candidatura da presidente deposta Dilma Rousseff ao Senado

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dilma (Foto: Carlos Lindenberg)

Ao responder ontem a uma nota do jornal belo-horizontino O Tempo, que o citava como pleiteando uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, o deputado Adalcléver Lopes, presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, acabou revelando o que, por aqui, já se comentava há dias: ele é postulante ao cargo de governador de Minas, ou seja, declarou-se pré-candidato ao Palácio da Liberdade. Até aí nada demais não fosse Adalcléver o principal fiador da aliança entre o PT de Fernando Pimentel e o MDB, que governa os mineiros há quase quatro anos. Ou seja, a aliança PT/MDB estaria ameaçada em Minas, não se sabe exatamente por que razão, a não ser pelo fato de Adalcléver, a quem estava reservada uma vaga no Senado, na chapa dos dois partidos coligados, não ter gostado da notícia de que a ex-presidente Dilma Rousseff mudou seu domicílio eleitoral para Belo Horizonte a fim de disputar uma cadeira no Senado.

Não há nenhuma outra razão aparente para esse afastamento de Adalcléver do compromisso que vem firmando com o governador Fernando Pimentel desde o início do governo ou até mesmo antes disso, quando o MDB se coligou com o PT para ganhar o governo do Estado, dando o vice Antônio Andrade, e governar sem qualquer problema na Assembleia, onde reina soberanamente Adalcléver. A notícia oficializada ontem, com a nota ao jornal belo-horizontino, não pegou o meio político de surpresa porque desde há uns 20 dias o ex-governador Newton Cardoso vem estimulando o MDB a pleitear a cabeça de chapa na hipótese de reedição da aliança PT-MDB. O que causou espécie foi Adalcléver, até aqui o grande aliado de Pimentel durante todo o governo e até mesmo na briga do governador com o seu vice Antônio Andrade, presidente do MDB no Estado, ter sido seduzido pelo discurso de inversão da chapa vitoriosa em 2014 ou até mesmo da candidatura própria, pelo discurso extemporâneo do ex-governador Newton Cardoso exatamente no dia em que ele, lançando uma autobiografia, chamou Michel Temer de ladrão e Aécio Neves de bandido.

O fato é que a nota do presidente da Assembleia, esta sim, pegou os políticos mineiros de surpresa. Com efeito, Adalcléver, filho do deputado federal Mauro Lopes, secretário-geral do MDB nacional, tem o completo domínio da Assembleia, a que preside pela segunda vez, por meio de uma política de diálogo com todas as bancadas e como avalista dos pleitos dos deputados com o Executivo, ao qual, por seu lado, dá total cobertura no Legislativo. Pimentel, por sua vez, praticamente não toma uma decisão de alguma repercussão sem ouvir antes ou comunicar com antecedência o presidente Adalcléver. A união entre os dois é tão forte que ao romper com o governador, o vice Antônio Andrade praticamente ficou só, sem um deputado sequer na Assembleia Legislativa, todos unidos sob o manto conciliador de Adalcléver Lopes.

Por conseguinte, e mesmo a despeito do discurso de inversão da chapa do ex-governador Newton Cardoso, até aí o deputado Adalcléver Lopes se mantinha alinhado com o governador, até que apareceu o furacão Dilma Rousseff, que, por inspiração de Lula, naqueles dias momentosos de sua prisão, mudou seu domicílio eleitoral para Belo Horizonte. Aí mudou também o comportamento de Adalcléver. Há quem explique isso com o fato de que uma das vagas da aliança PT-MDB para o Senado estava já destinada ao presidente da Assembleia, que se sentiu atropelado pela entrada de Dilma Rousseff disputando a segunda cadeira. O que, na verdade, não é uma decisão já tomada, como explicou a própria ex-presidente quando sabatinada pela imprensa mineira: primeiro a mudança de domicílio, depois veremos o que fazer, disse Dilma.

Ou seja, não é um fato consumado a candidatura de Dilma ao Senado, embora ela seja favorita na disputa, segundo pesquisas internas de posse do governo. Mas Dilma, ao que informam fontes palacianas, não veio para complicar, senão para ajudar a resolver problemas internos do PT, caso existam. Assim, o que se pensa na verdade, na cúpula do partido, é que Dilma até pode ser candidata ao Senado, ao lado de Adalcléver, quando não fazendo também a campanha do seu companheiro de chapa, naquele conhecido apelo ao eleitor para que dê o seu voto a Dilma e o segundo a Adalcléver, ou vice-versa, já que são duas as vagas em disputa. Com o que se fecharia também a porta da outra vaga ao senador Aécio Neves, caso ele se disponha a disputa-la no meio desse tiroteio em que se envolveu ao se tornar réu no STF e com mais outros sete processos a responder. Assim, não estando decidido que Dilma disputará o Senado, nada impede que ela dispute uma cadeira na Câmara dos Deputados, na certeza de que com ela a coligação PT/MDB fará mais quatro ou cinco parlamentares, aumentando o poder de fogo da bancada mineira que até agora tem feito um papel perto do medíocre.

Mas as coisas no MDB não estão assim tão tranquilas ao ponto do deputado Adalcléver se impor como candidato sobre a vontade, por exemplo, das bancadas estadual e federal. Começa que o nome eleitoralmente mais forte para disputar o governo do Estado pelo MDB, o deputado Rodrigo Pacheco, deixou o partido e se filiou ao Democratas, pelo qual irá à disputa. Depois, para surpresa de muitos, o vice-governador Antônio Andrade, rompido com o governador Pimentel, anunciou ao comando do MDB em Brasília que vai disputar o governo, mesmo que tenha que bater chapa com Adalcléver Lopes, no que se entendeu em Minas como um sinal de Temer ou de Jucá para que ele entre na briga com o apoio do Olimpo. Em suma, se o PT tem um problema com o MDB para administrar, o MDB também o seu, que é a disputa interna entre dois possíveis postulantes. E se o MDB acha que Dilma é problema, na verdade ela pode aparecer no rol de candidatos como solução para que a dobradinha PT-MDB continue governando por mais quatro anos, quando Pimentel já não poderá mais disputar a reeleição e Adalcléver como senador já poderá disputar o Palácio da Liberdade sem o risco de ficar sem mandato. Como estamos em Minas, é possível que nada disso aconteça e que na verdade o que pode estar ocorrendo é tanto o PT como o MDB apenas se cacifando para a hora de a onça beber água, lá pelo mês de julho. Esses mineiros são assim: falam que vão para o Rio de Janeiro e tomam o avião para a Bahia, como costumava dizer o lendário José Maria Alckmin – que não é parente de Geraldo, o de São Paulo.

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