“Me interna de novo, doutor”

eduardo cunha
eduardo cunha (Foto: Alex Solnik)
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O ex-jornalista Brasilino recebeu alta do hospício depois de mais de 35 anos de internação. Estava completamente por fora. Não sabia de nada desde a redemocratização. Não conhecia nome de deputado, senador, não conhecia prefeito e muito menos presidente da República.

Mas, como não conseguiu deixar de ser jornalista, era sua segunda pele, logo que se viu em liberdade correu até à primeira banca de jornais. Estava seco para saber das novidades.

Logo descobriu que duas figuras dividiam o noticiário político.

Uma delas era uma mulher que ele nunca tinha visto mais gorda (e que estava emagrecendo a olhos vistos). Brasilino logo descobriu que era a presidente da República e ficou curioso para saber o que estavam falando dela, principalmente o que diziam contra ela.

E então ele ficou sabendo que ela disse na campanha eleitoral que o país estava economicamente bem, mas quando assumiu todos viram que estava mal; que seu governo não controlava a base aliada da Câmara dos Deputados; que em dez meses já tivera dois ministérios; que suas contas de campanha foram reprovadas; que seu ministro da Justiça não controla a Polícia Federal; que nunca foi acusada de corrupção.

A outra figura onipresente era um tal de Eduardo Cunha que Brasilino também nunca tinha visto na vida a respeito de quem o jornal informava que: 1) foi denunciado na Suíça por ser destinatário de quatro contas secretas, duas das quais foram fechadas logo depois da Operação Lava Jato e duas bloqueadas pela Suíça; 2) essas contas, com somas em torno de 20 milhões de reais foram alimentadas por negócios relativos a petróleo embora Cunha nunca tenha sido empresário do setor petrolífero; 3) as contas foram movimentadas por ele e por sua mulher, havendo extratos da movimentação.

Brasilino fechou o jornal. Como era cedo para dormir resolveu dar uma volta em Brasília, acompanhado por seu médico (nesses primeiros dias de liberdade não convinha circular sozinho). Começou o passeio pela Câmara dos Deputados.

“Tivemos sorte”, disse-lhe o médico. “Hoje teremos uma sessão importante. Será votado o impeachment”.

“O que é impeachment”? perguntou Brasilino que no tempo de Collor estava internado.

“O impeachment é o afastamento intempestivo do presidente de seu cargo devido a crime cometido diretamente por ele no exercício de suas funções. Mas vamos parar de falar, vai começar a sessão.”

“Aquele lá eu vi no jornal”, disse Brasilino apontando Eduardo Cunha que se acomodava para presidir a mesa diretora.

“Ele é o presidente da Câmara”, disse o médico. “A palavra está com ele”.

Cunha ligou o microfone e disse:

“Vamos dar início à discussão do impeachment da presidente Dilma”.

Brasilino saltou da cadeira:

“O que? O impeachment é dela e não dele? Me interna, doutor, quero voltar pro hospício. Os loucos estão aqui fora”!

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