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Marcia Tiburi

Professora de Filosofia, escritora, artista visual

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Me too da violência doméstica

"Na 'democracia' patriarcal há violência para todas", diz Marcia Tiburi

Violência contra a mulher (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)
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Ouvi a expressão “Me too da violência doméstica” da jornalista Cris Fibe. Ela se referia ao fenômeno do “me too” que desde 2017 vem significando a saída do silêncio em relação a violências como assédio e abuso que seguem compondo uma história subterrânea na vida das mulheres. 

Algumas mulheres famosas brasileiras - e estrangeiras - vem contando sobre violências domésticas sofridas por elas, sejam psíquicas ou físicas. A voz dessas mulheres é importante como fenômeno social e certamente ajudará muitas mulheres não famosas a buscarem ajuda diante da violência silenciosa da vida cotidiana. O patriarcado implica um circuito de silêncio. Denunciar nunca foi algo natural, afinal patriarcado e machismo são sinônimos de violência que gera violência e não perdoa dissidentes. Do mesmo modo, a própria noção de masculinidade é marcada pela ideia de brutalidade, força e abuso. O machismo grotesco (vide o vídeo que circula atualmente nas redes em que um homem, evidentemente necrófilo, fala de vilipêndio de cadáveres de mulheres e depois vem pedir desculpas dizendo que um cadáver de mulher não é mulher) faz sucesso por todo lado e os violadores - bem como os abusadores em geral - se vitimizam.  

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Diante da naturalização, que reproduz os direitos dos homens à violência, o que faz uma mulher relatar é sempre uma situação extrema. E o que faz ela silenciar também. Quantas de nós não contamos o que se passa - ou se passou – conosco por medo de represálias? Quantas de nós calamos por medo de sermos mortas? 

Quando uma mulher sai do silêncio, ela precisa de proteção. Mas quando uma mulher consegue se proteger? Quem protege as mulheres? Elas mesmas certamente se protegem quando podem. Raramente homens vêm para ajudar. Há, de fato, exceções à regra da violência generalizada, mas são apenas exceções. A conivência masculina é imensa. 

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Muitas mulheres participam de grupos diversos em que são feitas “vaquinhas” para ajudar mulheres em estado de necessidade ou em fuga de maridos violentos. Quantas de nós vivem isso? Quantas de nós sabemos e precisamos ocultar essas histórias por medo de efeitos destrutivos? Nós que ajudamos não podemos contar o que se passa com as mulheres que ajudamos. Nós que ajudamos, às vezes somos as ajudadas. Na “democracia” patriarcal há violência para todas. E essa é a prova de que o patriarcado racista e capitalista é a barbárie a ser enfrentada e superada.

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