Meias verdades de Bolsonaro não justificam os mais de 300 mil mortos

"Já passou da hora de Bolsonaro parar de jogar contra a vida e a saúde de milhões de brasileiros e brasileiras", escreve o senador Rogério Carvalho. "Ainda que Bolsonaro tente negar a própria negligência, meias verdades não justificam os mais de 300 mil brasileiros e brasileiras mortos pela Covid-19"

(Foto: Reuters | ABr)
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Como de costume, após o pronunciamento de Bolsonaro, regado a panelaços por todo o país na última terça-feira (23), entrou em campo a milícia digital do capitão para tentar justificar o injustificável: em um ano de pandemia, mais de 300 mil brasileiros e brasileiras foram vitimados pela Covid-19. Desta vez, os disparos em massa, especialmente pelo WhatsApp, tentam criar a narrativa de que o Brasil está na vanguarda da vacinação mundial, o que é uma falácia.

O argumento central da rede bolsonarista é de que o Brasil é o quinto país que mais vacina no mundo, com 13 milhões de doses aplicadas, atrás dos Estados Unidos (128,2 milhões), da China (82,8 milhões), da Índia (50,8 milhões) e do Reino Unido (30,6 milhões). Tal informação, apesar de não ser mentira, esbarra na triste realidade de que somos o 60º país, quando consideramos o percentual da população vacinada e de que a pandemia segue avançando por todo o país, atingindo a trágica marca de mais 3 mil mortes por dia. Ou seja, o número absoluto de vacinados não é o primordial do ponto de vista epidemiológico e está sendo utilizado por Bolsonaro para gerar confusão. 

Não é preciso ser nenhum gênio para constatar que o número absoluto de vacinados segue a tendência do tamanho das populações dos países, ou seja, é evidente que quanto maior a população de um país, maior tende a ser o número absoluto de vacinados. Por isso, as três maiores populações do mundo, China, Índia e Estados Unido, são também as três nações que mais vacinam em número absolutos. 

O dado relevante para a contenção do vírus, deliberadamente omitido por Bolsonaro, é o percentual de vacinados em relação ao tamanho da população. Esse sim é um dado capaz de mensurar o avanço da imunização em cada país e que mede o esforço feito por cada nação para priorizar a aplicação das vacinas. Neste critério, a campanha de vacinação do governo Bolsonaro é um desastre. Nos diversos rankings sobre o tema, mesmo sendo a 12ª economia mundial,  como já afirmado, o Brasil sempre aparece na 60ª posição no total de vacinados em relação à proporção da população, atrás de países como Chile, Uruguai e Argentina, para ficar na América Latina. 

Com frequência, Bolsonaro também utiliza a métrica de mortos por milhão de habitantes para dizer que o Brasil se encontra abaixo de outros países nos índices de mortalidade pelo coronavírus, dado que mascara a realidade em razão do tamanho da população brasileira e das dimensões do país. O que Bolsonaro não diz, por exemplo, é que o Brasil tem 2,9% da população mundial e, na semana passada, teve 21% dos óbitos em todo mundo, informação que comprova como o vírus se alastra com maior velocidade em nosso país e que escancara que o percentual de mortos aqui é muito maior do que em outros países do mundo. 

Infelizmente, o fato é que, desde o início da pandemia, o governo Bolsonaro negligenciou a gravidade da pandemia. Não comprou as vacinas quando deveria ter feito, ao contrário, criticou alguma vacinas por razão ideológicas, não estimulou as medidas de distanciamento social e o uso de máscaras como recomendam as autoridades internacionais de saúde e a medicina baseada em evidências científicas e apostou em um tratamento precoce inexistente com medicamentos sem comprovação de eficácia, como reconhecem hoje em dia os próprios fabricantes desses medicamentos e a Associação Médica Brasileira. 

Já passou da hora de Bolsonaro parar de jogar contra a vida e a saúde de milhões de brasileiros e brasileiras. Para reverter a tragédia em que Bolsonaro mergulhou o país, é urgente o fortalecimento e o investimento no SUS, antes que os hospitais colapsem ainda mais. É preciso ainda coragem para reverter a políticos economia, destravar o orçamento e reativar o auxílio emergencial de pelo menos R$ 600 para que os trabalhadores e trabalhadoras possam ficar em casa e, assim, se reduzam os índices de contaminação. 

Entre outras medidas, também é imperativo a criação de um fundo solidário, com a taxação de recursos dos super ricos deste país, para financiar a retomada e a saída dessa crise. Isso porque, apenas alterar os critérios de registro do total de mortos não vai varrer os cadáveres, que são reais, para debaixo do tapete. O que precisamos é de um governo que coordene, planeje e lidere o enfrentamento da pandemia, com a vacinação em massa da população. Ainda que Bolsonaro tente negar a própria negligência, meias verdades não justificam os mais de 300 mil brasileiros e brasileiras mortos pela Covid-19. Não era para ser assim, não precisava ser assim e não precisa ser assim.

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