Melhor e pior momento da luta antifascista: é preciso romper o impasse

Frente ampla é trazer ditadores e milicianos fascistas para dentro de nosso campo. Frente Única Antifascista é a forma de derrotar o fascismo e golpismo de uma vez só. Pois, não há como derrotar o fascismo sem derrotar aqueles que o criou

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Desde o ataque de integralistas a um piquete grevista de funcionários da Universidade Federal de Santa Catarina em 2012 acompanho diariamente a evolução do fascismo e do antifascismo no Brasil e no mundo. E o que fica claro nesses anos é como os fluxos e refluxos se sucedem, e embora haja um esforço coordenado de confundir as fileiras militantes, a consciência antifascista é cada vez mais forte. Não fosse a luta tenaz, violenta, e na maioria das vezes silenciosa dos antifascistas por todo o país, Bolsonaro poderia estar apoiado por base muito mais significativa.

É praticamente unanimidade que desde 2013 foram mais derrotas que vitórias, o abatimento e a depressão que provocam se misturam com a ansiedade e urgência da derrubada desses fascistas.

Se em 2013 houvéssemos dado uma pancada nos fascistas que sequestraram as manifestações de junho a história teria sido outra. Mas a surpresa da manobra para a maioria da esquerda justificou o recuo. Havíamos feito a Polícia Militar carniceira de São Paulo recuar, as forças reais estavam no nosso lado. Mas subjetivamente não conseguimos enfrentar o problema de conjunto. A maior parte da esquerda intimidou-se, baixou a bandeira, saímos das ruas. E isso trouxe os fascistas para elas desde então.

Em 2015, com a iniciativa os fascistas avançaram em toda a linha e com manifestações de ruas, ações violentas contra vermelhos e ataques terroristas a sindicatos criaram uma situação de pânico.

Demorou, mas não tardou para que a ação da direita gerasse reação da esquerda. E o ano foi marcado por uma alternância de atos. Se, em dezembro de 2015 nossas manifestações já eram maiores do que as dos fascistas. Em 2016, a insistência institucional das direções da esquerda nos levou a uma humilhação coletiva diante das telas e telões assistindo deputados em nome da família e de Deus aprovar tranquilamente o golpe.

Após Temer mostrar, em 2017, que as manifestações enfrentariam a partir de então o exército viu-se um esfriamento das lutas de ruas.

Mas quando foram prender Lula em São Bernardo dos Campos, o golpe ficou ameaçado por uma decisão: resistir. A massa reunida em frente ao sindicato assim queria, mas Lula e a burocracia entregaram-se.

Embora Lula Livre fosse o grito mais popular do planeta a partir de então, milhões de trabalhadores e militantes estavam contidos pela estratégia jurídica, fadada desde a concepção ao fracasso.

A tendência de luta no Brasil sempre atrofiada, mas cada vez mais potente, viu os países vizinhos explodir em convulsões. E desse levante continental veio a força que libertou Lula em 2019. 

A virada 2019-2020 foi um marco. De um lado, os integralistas atacando a produtora do grupo Porta dos Fundos, de outro, antifascistas respondem em São Carlos contra a simbólica estátua da Havan. De um lado, Bolsonaro e os seus cada vez mais desavergonhados pedindo AI-5, imitando Göebbels; de outro, o Fora Bolsonaro dominando o carnaval.

Três manifestações engatilhadas em março, governo suando frio; surge a pandemia e de cara a esquerda baixa as armas. E ao invés de rapidamente desferir um golpe mortal e lutar para que o governo fosse um instrumento para enfrentar a crise, a esquerda deu aos inimigos novamente a iniciativa. E todos viram o que os governos federal e estaduais estão fazendo desde então: utilizando-se da crise para favorecer capitalistas ao mesmo tempo que barbarizam todo e qualquer direito democrático e preparam uma ditadura militar, policial aberta.

Entretanto, há uma disputa muito importante sobre qual ditadura, sobre quem estará no seu comando. Os golpistas que se uniram em 2016, diante da enorme pressão latente das massas estão divididos. Batendo cabeça por cima e por baixo, as hordas fascistas seriam derrotadas facilmente, fosse o senso de oportunidade das direções.

Mas o que domina é o oportunismo. As direções da esquerda, temerosos da mobilização social escapar de qualquer controle, preferem anular as ruas em detrimento de acordos com a direita e extrema-direita tradicional do regime político.

Assim, pode-se dizer tranquilamente que estamos vivendo nesse exato momento o melhor e o pior momento da luta antifascista desde 2012.
O momento em que o Fora Bolsonaro é unânime nas ruas, nas fileiras do movimento operária e popular. No momento em que as alas fascistas não têm um eixo de acordo.

No momento em que os militares já estão com tudo pronto para dar o golpe; mas não encontram ainda espaço suficiente para desferir o golpe sem provocar uma guerra civil.

A contradição é tal que entre as próprias bases e as direções das organizações da esquerda brasileira existe um fosso: as bases não aguentam mais acordo com golpista; já viu e reviu que luta jurídica e parlamentar não leva ninguém a lugar nenhum. As direções, entretanto, insistem com o aparato em golpes de mão para controla-las.

Frente ampla é trazer ditadores e milicianos fascistas para dentro de nosso campo. Frente Única Antifascista é a forma de derrotar o fascismo e golpismo de uma vez só. Pois, não há como derrotar o fascismo sem derrotar aqueles que o criou.

Nesse sentido, o jornal O Homem Livre está se constituindo num polo de aglutinação de militantes de base de várias organizações da esquerda para levar adiante a luta por uma frente única entre as organizações da classe operária. Enquanto as direções da esquerda apontam para a eleição controlada pelos militares, pelo impeachment paciente de Maia que levaria Mourão ao poder, nós estamos chamando todos a realização de um Congresso Antifascista Nacional para fundar a FUA, capaz de dar uma orientação de conjunto para todos nessa luta de vida e de morte.
Somos milhões, somos mais do que suficientes para derrotar o fascismo, somos a única força capaz de derrota-los.

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