Meme não é argumento

A conclusão que chego é que tanto a nova "esquerda", essa promiscuidade que condena a escrita e os livros, quanto a direita que confunde alhos com bugalhos, esqueceram o essencial: interpretação de texto

A conclusão que chego é que tanto a nova "esquerda", essa promiscuidade que condena a escrita e os livros, quanto a direita que confunde alhos com bugalhos, esqueceram o essencial: interpretação de texto
A conclusão que chego é que tanto a nova "esquerda", essa promiscuidade que condena a escrita e os livros, quanto a direita que confunde alhos com bugalhos, esqueceram o essencial: interpretação de texto (Foto: Igor Santos)

Existe uma crise de ordem civilizatória no Brasil. Ontem acompanhei uma discussão na internet entre um rapaz e uma moça, a discussão em si não interessa. O que me chamou atenção foi o rapaz criticar a moça por leiturismo, pelo fato da moça citar um autor para contesta-lo.

Alguns dias antes vi pela TV local o pronunciamento da Gleisi. Achei bacana, Gleisi falando em português, legenda saindo em árabe. Acho lindo o alfabeto árabe.

E ai fiquei sabendo que já estavam acusando o PT de conclamar a Al Qaeda para uma jihad. No começo não entendi a razão, a fala da Gleisi era bem polida e pacifica, não havia citação a nenhum grupo extremista árabe. Dai a ficha foi caindo conforme os vídeos iam chegando em grupos do telegram.

Estavam confundindo Al Jazeera com Al Qaeda!

A conclusão que chego é que tanto a nova "esquerda", essa promiscuidade que condena a escrita e os livros, quanto a direita que confunde alhos com bugalhos, esqueceram o essencial: interpretação de texto. Tanto uma como a outra precisam voltar aos bancos escolares, necessitam entender melhor a bibliografia que alicerça suas respectivas tradições politicas.

Meme não é argumento e aparecer em bando não dá razão - a Alemanha dos anos 30 que o diga. Precisam de aulas de leitura e interpretação de texto antes de tudo. A direita para entender o que é mercado e o sentido de mundo livre, liberdades individuais. A esquerda para entender que o que nos distingue da direita não é perfumaria ou questões comportamentais, somos a classe trabalhadora e ser de esquerda compreende isso em centralidade: os trabalhadores no poder.

Resumo da ópera:

O liberal precisa ler Adam Smith e John Stuart Mill. Para entender que só é possível ser capitalista se você detém algum meio de produção ou poder politico para barganhar com quem possui os meios de produção, fora disso é alienação ou colaboracionismo. O hippie precisa entender que marxismo é sobre classe trabalhadora e não sobre orgia ou astrologia. Precisamos de uma esquerda que não se alicerce em Big Brother ou ciranda, pragmática nos métodos e teórica na estrategia. Precisamos de um direita menos crossfit e esteroides, uma direita que saiba ler para além das manchetes de sites duvidosos.

Esse ano perderemos uma excelente chance de um debate sobre os rumos do país, não sobre o DCE, muito menos sobre o acampamento semestral dos DeMolays. Promover um grande debate, sobre o Brasil, laicidade do Estado Nacional, previdência, reforma trabalhista e mercados.

Ambos os polos precisam sair do tom and jerry identitário e conservador, para debater o que realmente importa. Todos estão muito centrados em discutir orifícios alheios e seus respectivos usos. Só peço que tirem o meu da reta e da torta também.

Precisamos voltar a debater Economia e o papel do Estado na vida concreta do cidadão brasileiro.

Mas bem resumidamente mesmo:

Essa galera precisa aprender a interpretar textos, precisamos voltar a nos importar e debater o que importa ser debatido. E deixar claro que na politica assim como na vida, não há espaço para mitos, santos ou lacração. Precisamos superar a adolescência, não temos mais o direito de sermos idiotas.

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