Mercado de trabalho aquecido, pressão inflacionária e subsídio à gasolina marcam o dia econômico
Desemprego atinge mínima histórica, inflação acelera e subsídio à gasolina reduz impacto do reajuste ao consumidor
O Brasil registrou hoje um conjunto relevante de dados macroeconômicos. A taxa de desemprego recuou para 5,8%, o melhor nível da série histórica recente para o período, com 102,3 milhões de pessoas ocupadas no país. O rendimento real habitual avançou 5% em 12 meses, elevando a renda média do trabalhador para R$ 3.732 — patamar ainda baixo para um país de renda média, considerando que 80% da população ganha menos de R$ 5.000 por mês. Houve também recuo na taxa de desalento e queda da informalidade.
O Caged de Abril apontou a criação de 85.000 vagas formais, abaixo da estimativa de mercado de 200.000, sinalizando desaceleração na margem, embora o mercado de trabalho siga operando em patamar aquecido.
No campo da inflação, o destaque foi o reajuste da Petrobras na gasolina: alta de R$ 0,48 por litro, parcialmente compensada por um subsídio governamental de R$ 0,44, resultando em impacto líquido de apenas R$ 0,04 ao consumidor final. O governo sustenta que o preço ainda é 27% inferior ao praticado em 31 de dezembro de 2022. O mecanismo preserva a receita da Petrobras e evita que o contribuinte arque diretamente com o custo — quem financia o subsídio é o próprio governo, com recursos provenientes de royalties e arrecadação tributária sobre o petróleo. Os grandes prejudicados são os produtores independentes, que recolhem mais tributos com a alta das cotações.
O IPCA-15 veio acima do esperado, com variação de 0,6%, e as expectativas de inflação para 2027 e 2028 começaram a se mover para cima, sinalizando desancoragem gradual. O Banco Central, segundo avaliações do mercado, pode estar próximo do fim do ciclo de alta, com a reunião de julho sendo vista como possível ponto de parada.
A escala 6x1 também foi citada como fator de custo para empresas intensivas em mão de obra de baixa renda — entre um e dois salários mínimos —, podendo pressionar margens, ainda que o efeito seja considerado limitado.
No cenário externo, ataques dos Estados Unidos a embarcações iranianas e instalações militares voltaram a atrair atenção para o mercado de petróleo, com o barril novamente próximo de US$ 100 — elemento adicional de pressão inflacionária a ser monitorado.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

