Miguel Sousa Tavares: “Foi uma assembleia geral de bandidos”

Colunista do 247 Tereza Cruvinel repercute o escritor e um dos jornalistas mas influentes de Portugal, Miguel Sousa Tavares, que definiu a sessão que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff como "uma assembleia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha"; "Devo dizer que nunca vi o Brasil descer tão baixo como no que se passou no Congresso. Aquilo ultrapassa tudo que é discutível, não existe" Fizeram a destituição da presidente sem qualquer base jurídica e constitucional para tal. E com uma falta de dignidade de arrepiar", diz 

Colunista do 247 Tereza Cruvinel repercute o escritor e um dos jornalistas mas influentes de Portugal, Miguel Sousa Tavares, que definiu a sessão que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff como "uma assembleia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha"; "Devo dizer que nunca vi o Brasil descer tão baixo como no que se passou no Congresso. Aquilo ultrapassa tudo que é discutível, não existe" Fizeram a destituição da presidente sem qualquer base jurídica e constitucional para tal. E com uma falta de dignidade de arrepiar", diz 
Colunista do 247 Tereza Cruvinel repercute o escritor e um dos jornalistas mas influentes de Portugal, Miguel Sousa Tavares, que definiu a sessão que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff como "uma assembleia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha"; "Devo dizer que nunca vi o Brasil descer tão baixo como no que se passou no Congresso. Aquilo ultrapassa tudo que é discutível, não existe" Fizeram a destituição da presidente sem qualquer base jurídica e constitucional para tal. E com uma falta de dignidade de arrepiar", diz  (Foto: Tereza Cruvinel)
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Miguel Sousa Tavares é bastante conhecido no Brasil como escritor, como autor de Rio das Flores e Equador, dois romances históricos monumentais. Mas MST, como é conhecido, é também um dos jornalistas mais influentes de Portugal, colunista do Expresso e comentarista do principal telejornal da TV Sic. No dia seguinte à aprovação do impeachment, em seu comentário no "Jornal da Noite" ele fez lamentou os descaminhos políticos do Brasil, definindo a sessão que aprovou o impeachment como " uma assembleia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha".

"Conheço bem o Brasil, gosto muito do Brasil e sigo sua política interna há muitos anos, desde a campanha das diretas e da eleição de Tancredo Neves. Mas devo dizer que nunca vi o Brasil descer tão baixo como no que se passou no Congresso. Aquilo ultrapassa tudo que é discutível, não existe. Foi uma assembleia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha. Fizeram a destituição da presidente sem qualquer base jurídica e constitucional para tal. E com uma falta de dignidade de arrepiar".

Como outros analistas mundo afora, Miguel também acha que foi golpe e disse até que as condições estão maduras para uma quartelada.

"...Também pela forma, a bandalheira, tudo aquilo. Um deputado se atreveu a elogiar o coronel Ulstra, um torturador da ditadura. Não sei se torturou a Dilma mas torturou o marido dela em frente dela, por exemplo. Acho que chegar a este grau de indignidade ultrapassa tudo que é respeitável. Apesar do quanto gosto eu do Brasil, considero-o um dos países mais mal governados do mundo. Nada disso vai resolver a situação brasileira. Nem sequer a parte econômica, que é o que enfim derrubou a Dilma. Não foram razões constitucionais nem jurídicas, e nem tem a ver com a corrupção pois ela não está incriminada em nada. A situação econômica contribuiu muito mas nada disso vai resolver, servirá apenas para deixar os brasileiros completamente divididos e paralisar a economia. Não sei como o governo vai funcionar. Não quero ser agourento mas, olhando para o passado brasileiro as coisas parecem maduras para um golpe militar."

Miguel deixou de visitar o Brasil durante o governo Collor, decepcionado com os rumos da democracia que viu nascer. Voltou porém a apostar no futuro desta terra de Santa Cruz especialmente a partir dos anos Lula, como disse ainda no comentário: "Com os dois governos de Lula o Brasil estava a uma situação em que nunca havia estado tão bem. Criou-se uma grande esperança. Mas, afinal, o Brasil é um pais eternamente adiado e muito mal governado".

Conheci Miguel quando ele veio ao Brasil cobrir a transição e a redemocratização, no início dos anos 80. Jovem repórter na política, passei a colaborar com a revista que ele dirigia, a Grande Reportagem. Nasceu ali uma amizade que perdura até hoje, pontilhada pelo diálogo literário, jornalístico e político. Mostrei-lhe pedaços do Brasil, testemunhei seu deslumbramento com a Amazônia e sua emoção com as marcas portuguesas em Minas, afora a paixão pelo Rio. Com exagero e generosidade ele diz, num agradecimento em "Rio das Flores" que eu o ensinei "a conhecer e amar verdadeiramente o Brasil". Mas, com certeza, nem eu nem seus muitos outros amigos e amigas brasileiros conseguiram explicar-lhe as razões de nossa indigência política, que ele resume definindo o Brasil como um dos países mais mal governados do mundo. Essa resposta nós também não temos.

Por amar verdadeiramente o Brasil, Miguel tão bem traduziu para os portugueses, lamentavelmente, o que se passou na noite do dia 17 de abril.

O link para o comentário na SIC: http://sicnoticias.sapo.pt/opinionMakers/miguel_sousa_tavares/2016-04-18-Nunca-vi-o-Brasil-descer-tao-baixo

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