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Marcia Carmo

Jornalista e correspondente do Brasil 247 na Argentina. Mestra em Estudos Latino-Americanos (Unsam, de Buenos Aires), autora do livro ‘América do Sul’ (editora DBA).

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Milei diz que “denúncia de golpe” na Bolívia foi “fraude” e volta a criticar governos socialistas

"O comunicado argentino foi divulgado após um dia de trocas de acusações entre o presidente da Bolívia, Luis Arce, e o ex-presidente Evo Morales"

Javier Milei. Foto: Reuters / Agustin Marcarian

No fim da noite de domingo, a Presidência da Argentina divulgou comunicado oficial condenando o que definiu como “falsa denúncia de golpe de Estado, divulgada pelo governo da Bolívia”, na quarta-feira, dia 26 de junho. No texto, afirma-se ainda que a “fraude foi confirmada” neste domingo. 

“O relato não era confiável e os argumentos (do golpe) não encaixavam com o contexto “social e político” do país. O partido governante controla o Poder Legislativo, a Justiça, o Executivo e as Forças Armadas”, diz. No parágrafo seguinte, a Presidência de Milei diz que a democracia boliviana está em perigo, não por algum golpe militar, mas pelos governos socialistas porque “derivam em ditaduras”.

O comunicado argentino foi divulgado após um dia de trocas de acusações entre o presidente da Bolívia, Luis Arce, e o ex-presidente Evo Morales sobre o que ocorreu na quarta-feira em La Paz. Arce e Evo, fundadores do Movimento ao Socialismo (MAS), têm travado diferenças públicas há vários meses, mas, na quarta-feira, os dois divulgaram em suas redes sociais que a Bolívia corria perigo de um golpe militar. “Convocamos uma manifestação nacional em defesa da democracia diante do golpe de Estado que está sendo planejado pelo general Zuñiga”, escreveu Evo na rede X, referindo-se ao ex-comandante do Exército, que acabou preso. 

O presidente Arce também escreveu sobre a ameaça contra a democracia boliviana e chegou a ser filmado encarando o líder da revolta militar. Neste domingo, porém, Evo escreveu na sua rede social: “O presidente Arce mentiu para o povo boliviano e para o mundo. É lamentável que seja utilizado um assunto tão delicado, como a denúncia de um golpe. Diante dessa realidade, devo pedir desculpas à comunidade internacional pelo alarme gerado e agradecer a solidariedade ao nosso país”. 

Arce, por sua vez, ratificou a tentativa de golpe. E afirmou, referindo-se ao ex-presidente: “Não fique do lado do fascismo, que nega o que aconteceu. Os responsáveis pela tentativa de buscar o poder com as armas estão sendo processados e serão julgados, como foi o caso dos golpistas de 2019”. 

Em 2019, Evo acabou renunciando à sua candidatura a um novo mandato presidencial, após pressões que incluíram a oposição e setores militares. Na noite de quarta-feira, simpatizantes de Evo já diziam que não acreditavam na intentona militar e criticavam o presidente.

 Por sua vez, assessores de Arce diziam, naquela mesma noite, que “o pior passou, mas continuamos em alerta”. O ex-presidente e o atual presidente foram aliados durante os governos de Evo. Arce foi seu ministro da área econômica e contava com respaldo total do presidente. No entanto, a pouco mais de um ano da eleição presidencial, em agosto de 2025, a rivalidade entre eles só cresce. Os dois devem disputar a cadeira do Palácio presidencial. Neste domingo, o político de extrema-direita Javier Milei não perdeu tempo e a oportunidade de criticá-los.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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