Minha solidariedade a Jair Messias e seus filhotes

"Infelizmente, conheço bem o vazio deixado no peito quando um fraterno amigo vai embora para sempre. Meus amigos que se foram eram parte do meu mundo: escritores. Adriano era parte do mundo deles: miliciano. Portanto, estarão sentindo a dor de ver parte do seu mundo desaparecendo", ironiza o jornalista eric Nepomuceno

Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia 

É domingo, faz sol e calor na cidade do Rio de Janeiro, ainda guardo a alegria de ter estado ontem aqui duas vezes com Lula – a segunda delas num emocionante encontro dele com don José Mujica, o emblemático ex-presidente uruguaio -, e me deparo com a notícia do assassinato do ex-capitão da Polícia Militar carioca Adriano da Nóbrega.

Nos últimos seis anos a vida foi, em determinados momentos, especialmente cruel comigo, ao levar para sempre amigos queridos, alguns deles meus irmãos da alma. Sei o tamanho dessa dor, e do conforto de receber gestos de solidariedade.

Não tenho a menor consideração por Jair Messias e seu trio de filhos hidrófobos. Mas ainda assim, e por uma questão de humanidade, me sinto impelido a deixar clara aqui, e por escrito, minha solidariedade a eles diante da dor que estão sentindo.  

Infelizmente, conheço bem o vazio deixado no peito quando um fraterno amigo vai embora para sempre.  

Meus amigos que se foram eram parte do meu mundo: escritores. Adriano era parte do mundo deles: miliciano.  

Portanto, estarão sentindo a dor de ver parte do seu mundo desaparecendo.  

Sempre contei com a solidariedade dos meus amigos. Entendo, então, a generosidade e a solidariedade de décadas entre a clã e quem foi assassinado em plena manhã deste domingo, lá nos confins da Bahia, onde buscava sossego.  

Sei também que o fato de ainda contar com amigos fraternos alivia a dor da perda dos que se foram.  

Portanto, posso calcular o alivio que o fato de Queiroz continuar vivo oferece a Jair Messias e filhotes. Pena que esse alivio não possa se expressar em público, mas enfim, nem tudo está perdido.

Calculo que, ao ocupar hoje os postos que ocupam – Jair Messias é presidente, um dos filhos é senador da República, o outro é deputado federal e o terceiro é vereador –, nenhum deles depende de ‘rachadinhas’ para continuar multiplicando seu patrimônio milagrosamente. E que por isso mesmo a dor que sentem não tem nada a ver com perda material.

Enfim: é domingo, faz sol no que restou desta minha cidade arrasada por um rufião voraz e inepto, e eu não me sentiria bem se omitisse minha solidariedade a alguém que desprezo irremediavelmente, mas em quem reconheço a dor por estar mergulhado pela morte brutal de um amigo fraterno, um irmão da alma. Um pedaço do seu mundo que se vai.

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