Minúcias da reunião ministerial

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Depois do conhecimento da fatídica reunião ministerial de 22 de abril, muitos crimes praticados por Jair Bolsonaro passaram a ser conhecidos e já estão na agenda do Judiciário, da política e da imprensa. Tiveram contribuições significativas Abraham Weintraub, ao querer a prisão dos integrantes do STF, e Ricardo Salles, ao propor e fazer passar legislação ambiental sem discussão. São os crimes maiores.

O nível da linguagem e tom das falas são dados logo no início do encontro, quando o vice-presidente Hamilton Mourão recomenda dar um ‘esporro’ para ‘botar ordem nesse troço aí’ a fim de que fizessem silêncio. Na sequência, Braga Netto apresenta em menos de oito minutos um plano econômico, supostamente o único motivo da reunião, e clama pelo engajamento dos demais ministros de forma coordenada aos ditames apresentados. Isso é posteriormente substituído pelo presidente para que os ministros façam defesa do próprio ocupante do Palácio do Planalto, bem como de seus amigos e familiares.

Paulo Guedes se irrita com o apelido ‘Plano Marshall’ que o conjunto de intenções econômicas recebeu e afirmou que isso ‘revela despreparo nosso’, dito duas vezes. Não disse “pode dar a entender”, mas sim ‘revelar’, que por si revela de pronto o despreparo da equipe econômica em lidar com a questão. Há vários problemas de noção de tempo de Guedes ao afirmar logo após a apresentação de que não se pode repetir Lula e Dilma de 30 anos atrás, quando o governo do PT começou há menos de 20 anos. Também faz comparação com o PT de dois anos atrás, quando o partido foi tirado do governo há mais de quatro anos. ‘Foi os dois anos anteriores do PT’, diz Jair Bolsonaro, também com os mesmos problemas temporais de Guedes.

A retórica contra a China aparece logo do início – mesmo com as frases omitidas, fica claro que se trata de uma crítica a esse país.

Bolsonaro também evidencia que seu governo não contempla amparo a usuários de drogas nem políticas de prevenção de gravidez indesejada, conforme suas falas sobre o filho que ‘enche os cornos’ ou a filha que engravida. Isso sem falar na já conhecida misoginia.

Outro fato a se verificar ao longo desse ano é que o presidente afirma que está fora das eleições municipais, porém já manifestou recentemente que o empresário Paulo Marinho, que o denuncia pela interferência na Polícia Federal, tem esse tipo de interesse.

Mais uma significativa atravessada de Bolsonaro foi cobrar que os ministros não falem com a imprensa: “não pode falar nada. Tem que ignorar esses caras, cem por cento. Senão a gente não, não vai para frente”. Ou seja, impôs censura ao governo, que parece não ser totalmente cumprida, nem por ele, que continua lendo e criticando o que é publicado. Logo depois ameniza: “se a gente puder falar zero com a imprensa é a saída”.

Onyx Lorenzoni enalteceu a gravidade da doença (covid-19), mas afirma que “foi levado ao paroxismo da histeria porque serve a interesses de muitos, os mais variados”, sem explicar e detalhar, obviamente.

Por fim, dois outros detalhes revelados na reunião. Pedro Guimarães diz que tem quinze armas e que iria para matar e morrer e entende-se somente agora a preocupação da Damares com os supostos um milhão e trezentos mil ucranianos no país, pois foi o símbolo de um grupo de neonazistas desse país usado nas manifestações fascistas no final de maio em São Paulo.

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