Mixofobia
Reflexão sobre o isolamento social, o avanço das relações virtuais e a perda dos encontros humanos espontâneos na vida contemporânea
Encontrei, por acaso, durante um almoço dominical, um casal de amigos que eu não via havia muito tempo. Fiquei muito feliz. Em geral, as pessoas que encontro no meu bairro são vizinhos pouco amistosos e pouco cordiais.
Fiquei imaginando que nossa sociedade sofre do que se poderia chamar de “mixofobia”, como disse um colega — uma espécie de doença social que parece ter se agravado depois da pandemia. As pessoas evitam encontros, conversas e confraternizações. A vida tornou-se estritamente familiar ou voltada para os negócios e para o mundo virtual das milhares de visualizações.
Esse afastamento acabou substituindo o abraço, o sorriso, a troca de gentilezas, as conversas e até as confidências. Passamos a viver nessa espécie de caverna iluminada de Platão que é o shopping center.
É uma mudança de vida lamentável. Um mundo de aparências e ostentação substitui o mundo real dos afetos e desafetos, da alegria e da tristeza, dos encontros casuais com velhos amigos que ainda se interessam genuinamente por você.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

