Mobilizações populares devem marcar o início da resistência ao governo Bolsonaro nas ruas

Como em outros momentos marcantes da história do país, os estudantes dão início a um movimento de resistência ao sucateamento proposto pelo Governo com potencial para realinhar a correlação das forças políticas do país

Mobilizações populares devem marcar o início da resistência ao governo Bolsonaro nas ruas
Mobilizações populares devem marcar o início da resistência ao governo Bolsonaro nas ruas

O “projeto pedagógico” do Governo Federal para o país parece bem simples: destruir todos os mecanismos de democratização da educação pública no menor tempo possível. E não se trata de um contraponto infantil aos avanços alcançados pelas gestões petistas, principalmente com Fernando Haddad à frente do MEC. O compromisso do governo Bolsonaro com o mercado, que patrocina um vasto processo de privatização e elitização dos ensinos básico e superior, demanda a rápida fragmentação do sistema educacional brasileiro. Ou seja, o sucateamento da educação pública é a única política pública educacional em curso no país.

Os avanços na educação nos últimos 15 anos foram fundamentais para mudar a cara das universidades, da ciência produzida no país e de parte do setor produtivo qualificado. Nunca se viu tantos jovens negros, pardos e pobres nos campi universitários. Nunca houve tantas mulheres cientistas nos representando mundo afora. Nunca se viu uma redução tão grande dos abismos sociais, étnicos e econômicos que sempre impediram os negros de alcançarem seus diplomas universitários.

A construção de mais de 100 campi universitários, de mais de 300 institutos federais de educação tecnológica, somada à concessão de milhares de bolsas do Prouni, do crédito estudantil Fies, do programa de incentivo ao intercâmbio científico Ciência Sem Fronteiras, e mais uma série de incentivos complementares ao processo educacional dos brasileiros mais pobres, criou um novo ambiente de perspectivas e ação para nossos jovens. Mas, ao cortar o orçamento das universidades e dos institutos federais pela metade, ao tirar da agenda pública brasileira a educação como o principal vetor de desenvolvimento socioeconômico da nação, Bolsonaro pode ter dado início a um irreversível processo de derrocada política.

A letargia popular vista até aqui parece ter variados motivos, que vão desde a claudicante dinâmica do governo Bolsonaro, fazendo oposição a si mesmo, à inoperância de parte do campo progressista, que não consegue traduzir suas pautas para uma linguagem acessível à maior parte da população. Os mais pobres perdem seus direitos sociais a cada dia, sem saber imediatamente como as medidas impostas pelo governo podem afetar seu cotidiano e seu bem-estar social. As mazelas sociais impostas pela reforma trabalhista, pela reforma da previdência em discussão no Congresso, ou pelos cortes anunciados para a educação, meio ambiente e políticas públicas estratégicas não são suficientemente debatidas pela esquerda com a faixa populacional alheia à agenda política do país.

Ao declarar uma cruzada política e ideológica contra as instituições de ensino federais, porém, Bolsonaro mobiliza um dos maiores e mais bem informados setores da sociedade. Como em outros momentos marcantes da história do país, os estudantes dão início a um movimento de resistência ao sucateamento proposto pelo Governo com potencial para realinhar a correlação das forças políticas do país. Ou seja, mais uma vez, a defesa dos direitos sociais, das liberdades individuais e do ordenamento democrático estão nas mãos de nossos estudantes. Que a balbúrdia política seja suplantada pelo movimento estudantil!

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