Moro é o pai do dossiê. Mendonça é a mãe

Alex Solnik apresenta o roteiro da construção do dossiê sobre antifascistas no Ministério da Justiça que mostra o protagonismo não apenas de André Mendonça, mas de Sergio Moro igualmente, na montagem do sistema de espionagem

André Mendonça e Sérgio Moro
André Mendonça e Sérgio Moro (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)
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Por Alex Solnik

Os ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin deram uma imensa contribuição para o esclarecimento e identificação dos autores do dossiê do Ministério da Justiça.

Informaram eles que o pedido de informações que foi o pontapé inicial do relatório espúrio é de 24 de abril, último dia de Sérgio Moro no Ministério da Justiça.

Fica óbvio, portanto, que seu último ato como ministro foi fazer o pedido de informações junto à SEOPI – Secretaria de Operações Integradas, criada por ele.

Não há dúvida que ele é o pai do dossiê.

Ao assumir a Justiça no lugar de Moro, André Mendonça trocou o diretor de Inteligência da SEOPI, indicado por Moro, nomeando o coronel Libório.

O coronel Libório foi exonerado por Mendonça no dia 3 de agosto, quando estourou o escândalo do dossiê, o que deixou claro que o coronel foi o autor da lista macartista e Mendonça queria lavar as mãos.

Embora os ministros do STF não tenham responsabilizado os autores do dossiê, apenas proibiram que outros sejam elaborados, está óbvio, por esse roteiro, que os principais responsáveis são Sérgio Moro, André Mendonça e o coronel Libório.

Moro é o pai, pois engravidou o dossiê e Mendonça é a mãe, pois foi quem o gerou.

O pleito de 2022 vai ser um divisor de águas: se Bolsonaro se reeleger, o ciclo militar será inevitável; se ele fracassar, os civis voltam ao poder.

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