Moro é prisioneiro de sua vaidade

Enquanto Lula recebia em sua cela/sala, em Curitiba, a carta do Papa Francisco, o ex-juiz e ministro da Justiça, Sergio Moro, em Brasília, "sofria uma grande derrota ao ver o Coaf, instrumento de que pensou dispor para rechear o poder de sua pasta, escapar-lhe das mãos", analisa Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia. "Para um ateu, isto não terá o menor significado. Para os políticos, houve uma coincidência de datas. Para os que não acreditam em políticos, e tampouco em coincidências, o momento é de reflexão", diz ela

Moro é prisioneiro de sua vaidade
Moro é prisioneiro de sua vaidade (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia - Enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebia em sua cela/sala, na prisão de Curitiba, a carta do Papa Francisco, contendo um texto em que diz que graças ao "triunfo de Jesus sobre a morte", é possível acreditar "que, no final, o bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e a Salvação vencerá a condenação", o ex-juiz e ministro da Justiça, Sergio Moro, em Brasília, sofria uma grande derrota. Viu o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), instrumento de que pensou dispor para rechear o poder de sua pasta, escapar-lhe das mãos, numa derrota imposta pelo Senado.

Para um ateu, isto não terá o menor significado. Para os políticos, houve uma coincidência de datas. Para os que não acreditam em políticos, e tampouco em coincidências, o momento é de reflexão.

Todos se lembram – e como esquecer? – dos vazamentos de Moro para os principais canais de TVs e demais mídias, das "apurações" e "investigações" da Lava-jato e da persistência com que buscou a condenação de Lula, a quem atribuiu a compra de um apartamento que ele apenas visitou, e de um sítio onde passava finais de semana na companhia de um amigo de trinta anos de luta sindical.

Todos conhecemos a sentença de 12 anos e um mês, proferida por Sergio Moro, pena que acabou reduzida a oito anos e 10 meses, no dia 23 de abril deste ano, e que permite à sua defesa pedir a progressão para o regime semiaberto, em setembro. Lula já cumpriu 12 meses de um total de 17 meses exigidos para a progressão.

Em setembro, portanto, o ex-presidente pode ir para casa e cumprir a pena junto aos seus familiares. Nas entrevistas que já lhe foi permitido conceder, contou que sua alma voa através dos livros, do carinho recebido da vigília que o conforta e dos visitantes que levam a ele notícias do país e do mundo. Lula não se sente preso. Aproveita o tempo para crescer.

Enquanto isto, o ex-juiz Sergio Moro, que o condenou, abriu mão de uma carreira de 22 anos na magistratura, em troca de um cargo em um governo que, a princípio, lhe prometeu prestígio. Moro permutou a condenação de Lula pelo título de ministro da Justiça, de olhos compridos numa cadeira no Supremo Tribunal Federal, o "doce" acenado pelo presidente que assumia. Num arroubo imediatista, com a vaidade saindo pelas orelhas, não mediu o hiato que teria de atravessar até chegar lá. Hoje, Lula está com os pés quase fora da prisão – a Lei assim o permite -, enquanto Moro está preso à sua soberba, às humilhações que tem de engolir, como ter de assinar uma carta, juntamente com o presidente Jair Bolsonaro, pedindo que tirassem dele o tão sonhado Coaf. Moro hoje é prisioneiro de sua empáfia. Ou obedece, ou está na rua.

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