Moro está com os dias contados no Ministério da Justiça

"A única pessoa, hoje, capaz de puni-lo [Moro], mesmo sem essa intenção, é o presidente Bolsonaro, que não deverá mantê-lo durante muito tempo no Ministério da Justiça porque sabe que, além de Lula, Moro é o único que pode derrotá-lo nas próximas eleições, conforme revelam as pesquisas", avalia o colunista Ribamar Fonseca

Moro entende de quê?
Moro entende de quê? (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Graças à Globo, instalou-se no Brasil  um câncer que há cinco anos vem corroendo as entranhas da Nação: a Lava-Jato. A pretexto de combater a corrupção, a Lava-Jato manipulou a mídia tradicional, em especial a Globo, com vazamentos selecionados; jogou na lama centenas de reputações; destruiu a indústria pesada da construção civil brasileira, desempregando milhares de trabalhadores; fragilizou a Petrobrás, facilitando o seu esquartejamento para a sua privatização aos pedaços; e interferiu no processo eleitoral, impedindo Lula de ser candidato e abrindo caminho para a eleição de Bolsonaro. E de quebra fez as suas próprias leis que, embora não escritas e não aprovadas pelo Congresso Nacional, valem mais do que a própria Constituição, sendo observadas por magistrados de todos os níveis: extinguiu a exigência de provas,  condenando o réu com base apenas na convicção de quem julga. Foi estribado nisso que Lula foi condenado mesmo sem ser proprietário do triplex do Guarujá e do sitio de Atibaia. No seu voto em que aumentou a pena do ex-presidente de 12 para 17 anos, no processo de Atibaia, o desembargador Gebran Neto, relator da Lava-Jato no TRF-4, disse:  pouco importa se Lula é o dono do sítio, mas “o que me parece relevante é que ele usou o imóvel”. Precisa desenhar?

A Lava-Jato, na verdade, foi uma armação concebida nos porões do Departamento de Justiça norte-americano com um objetivo político: tirar do poder no Brasil a Esquerda, representada pelo PT, para eleger um representante da Direita sintonizado com o governo dos Estados Unidos. Embora praticamente desconhecido da grande maioria da população, apesar de contabilizar   28 anos de mandato na Câmara Federal,  o deputado Jair Bolsonaro foi o ungido não apenas por sua idolatria por Donald Trump mas, também, por suas origens e ligações militares. E como os tempos atuais não mais comportam golpes militares, os americanos optaram pelo lawfare, o uso da Justiça para dar a aparência de legalidade, estratégia adotada no Brasil e em outros países da América do Sul para afastar governantes e líderes populares de Esquerda. Para o êxito do projeto, que incluiu a derrubada da presidenta Dilma Roussef e a prisão de Lula, foi decisiva a participação da mídia, de magistrados, de empresários e do uso do WattsApp, hoje o mais eficiente meio de comunicação do planeta, através do qual promoveu-se uma verdadeira lavagem cerebral em grande parte da população, por meio de fakenews.  

A força-tarefa de Curitiba ganhou status de  tribunal de inquisição, com jurisdição em todo o território nacional,  e seus chefes, o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, foram transformados pela Globo em super-heróis, porque estavam fazendo exatamente o que os irmãos Marinho queriam: eliminar Lula e o petismo do cenário político nacional, o que casou com os interesses norte-americanos e com o motivo da criação da Lava-Jato. E para pegar o ex-presidente, o verdadeiro alvo da operação desde a sua instalação, foram deixando um rastro de destruição por onde passavam: prenderam um monte de gente considerada “importante”, acabaram com centenas de reputações e destruiram  a indústria da construção civil, quebrando as maiores empresas do país e abrindo espaço para empresas estrangeiras.  O combate à corrupção, até hoje o estandarte que levantam todas as vezes em que cresce o tom das críticas aos estragos causados à economia do país, na verdade sempre foi uma cortina de fumaça para esconder o verdadeiro objetivo  da força-tarefa: impedir Lula de voltar ao Planalto. Afinal, onde estão os corruptos confessos? Com raras exceções, curtindo em casa o dinheiro que roubaram.  

Além das grandes empresas da construção civil, a Petrobrás , espionada durante anos pelos Estados Unidos, foi uma das maiores prejudicadas pela Lava-Jato, que promoveu uma verdadeira caça às bruxas dentro da estatal e deixou a empresa à mercê da sanha dos que querem entrega-la para os americanos, um velho sonho dos  entreguistas, entre eles Fernando Henrique Cardoso e José Serra. O presidente da empresa, Roberto Castello Branco, recentemente reconheceu os danos que aquela operação causou à estatal e seus funcionários, inclusive enviando  carta a eles com pedido de desculpas. Em  nota, disse Castello: “Em vez de investigar e punir as pessoas que realmente cometiam atos dolosos, inocentes foram perseguidos. Resultado disso é que estamos entregando cerca de duas mil cartas pedindo desculpas às pessoas envolvidas e a seus familiares pelos danos causados. Por isso, aproveito esta oportunidade para pedir desculpas pessoalmente, como presidente da companhia, em nome da Petrobras a todos aqueles que foram injustiçados e seus familiares”. Existe melhor prova do que essa para convencer os fanáticos de que a Lava-Jato causou mais danos ao Brasil do que benefícios? Quem vai ser responsabilizado pelos prejuízos causados aos funcionários da estatal?

 O  então juiz Sergio Moro, que volta e meia viajava aos Estados Unidos para receber instruções do pessoal do Departamento de Justiça e da própria CIA, como recompensa por ter assegurado a eleição de Bolsonaro ao tirar Lula do páreo foi nomeado para o Ministério da Justiça, o que não apenas o manteve no foco dos holofotes como, também, garantiu a sua blindagem contra os processos. Além disso, ele conseguiu aliados no Congresso e nos tribunais superiores, especialmente no Supremo Tribunal Federal, onde conta com o apoio irrestrito dos ministros Edson Fachin, Roberto Barroso e Luiz Fux. Este último, considerado homem de confiança da Lava-Jato, até já declarou publicamente o seu voto contra o pedido de suspeição de Moro, que tramita na Corte Suprema e que já deveria ter sido votado pelo plenário, mas até hoje continua dormindo na gaveta do seu presidente, Dias Tóffoli, que vem adiando seguidamente a sua inclusão na pauta. Tóffoli, pelo visto, quer deixar a decisão para  Fux, que dentro em breve assumirá a presidência da Corte. Em recente palestra no Conselho Nacional do Ministério Público, Fux defendeu Moro, classificando-o como “um grande brasileiro”, e criticou a imprensa por ter publicado as revelações do site The Intercept. 

O ex-juiz, na verdade o principal responsável pelo desastre Bolsonaro, provavelmente não será punido pelos seus abusos, pois todas as ações contra ele foram arquivadas pelo Conselho Nacional de Justiça, a exemplo do que o CNMP fez com as ações contra Deltan  Dallagnol, órgãos de controle que se tornaram corporativistas. A única pessoa, hoje, capaz de puni-lo, mesmo sem essa intenção,  é o presidente Bolsonaro, que não deverá mantê-lo durante muito tempo no Ministério da Justiça porque sabe que, além de Lula, Moro é o único que pode derrotá-lo nas próximas eleições,  conforme revelam as pesquisas. Por enquanto ele está bem no conceito  do povo, que ainda o avalia pelo seu suposto combate à corrupção na Lava-Jato. Como, porém, em um ano no Ministério da Justiça ele não fez absolutamente nada  contra a corrupção (cadê o Queiroz?) ou para melhorar a segurança no país, tudo indica que será esquecido quando deixar o cargo e, consequentemente, sair do foco dos holofotes, assim como aconteceu com o ministro aposentado Joaquim Barbosa, que a Veja classificou como “o menino pobre que mudou o Brasil”. A partir daí o capitão não precisará mais se preocupar com a sua concorrência, pois o ex-juiz, tal como Barbosa, sumirá do cenário político. Se Bolsonaro, portanto, pretende mesmo concorrer à reeleição, sua primeira providência será  eliminar o concorrente que está mais próximo com uma única canetada: Moro. E o sonho do atual ministro de chegar à Presidência da República ou ao STF terá sido apenas um sonho. 

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