Moro inviável: o naufrágio precoce de uma candidatura

"Exposto à luz do sol, Sérgio Moro mostrou sua limitação como ator político. Um personagem fabricado em laboratórios estrangeiros", escreve o jornalista

www.brasil247.com - Sergio Moro
Sergio Moro (Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)


No início de dezembro, a mídia amiga da Lava-Jato fez circular "avaliação em caráter reservado" atribuída a presidentes de partido não identificados, que apontava tendência irreversível: Moro passaria Bolsonaro em fevereiro de 2022 e seria o candidato a enfrentar Lula num segundo turno (leia aqui).

Na época, desconfiei.

O jornalismo "profissional" estava em plena campanha pelo ex-juiz suspeito. Campanha, percebe-se agora, fracassada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Exposto à luz do sol, Sérgio Moro mostrou sua limitação como ator político. Foi um personagem fabricado em laboratórios estrangeiros, com apoio da mídia nativa, para cumprir a missão de barrar Lula em 2018 e colcar o petista na cadeia. O objetivo era apagar o PT e seu líder da história. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Moro falhou duplamente: desfeita a picaretagem lavajatista, Lula retomou a força e é favorito em 2022; e o ex-juiz expõe (agora no papel de candidato) toda sua fragilidade. Não soube explicar as notas recebidas da Alvarez & Marsal (numa delas explicitou o ego inflado e provinciano, ao se definir num email corporativo como "juge": pretendia escrever "judge", em inglês, talvez em consideração ao país que lhe dá guarida, mas errou até nisso)... e não consegue articular uma ideia original sobre o Brasil. 

Entrevistas no Bial, colunas nos jornais, comentários favoráveis, notinhas plantadas, palestras para empresários, passeios pelo Nordeste com chapéu de cangaceiro e erros crassos de geografia (Sergio Fernando falou, numa das viagens, sobre o inexistente "agreste cearense"): nada disso adiantou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Detestado pelos políticos (e não só os de esquerda), desprezado por acadêmicos e operadores do Direito, descobre-se agora que ele é rejeitado também pelos eleitores.

As últimas pesquisas desta semana - Quaest e IPESPE - mostram Moro empacado em terceiro lugar, num humilhante empate com Ciro Gomes. Os dois têm algo em torno de 7% ou 8% da preferência dos eleitores. Lula segue na faixa de 45%, e Bolsonaro com cerca de 25%.

Os fatos, esses danados, mais uma vez desmentiram o desejo da mídia "profissional". Moro não passou Bolsonaro em fevereiro, não vai passar, e todo analista sério sabia que não passaria.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Tudo indica, aliás, que será em breve ultrapassado por Ciro Gomes. A pesquisa IPESPE mostra que Moro é rejeitado por 55% dos brasileiros (atrás apenas de Bolsonaro - 62% de rejeição, e Doria - 59%). Ciro está numa condição bem mais favorável: 45% de rejeição (quase idêntica à de Lula - com 43%).

Além disso, na pesquisa Quaest apenas 11% dos brasileiros indicam a corrupção (tema central das falas de Moro) como maior problema do país. E pasmem, quando perguntados sobre o candidato mais bem preparado para acabar com a corrupção, os eleitores udenistas respondem que é Bolsonaro, e não Moro. Ou seja: os brasileiros parecem mais dispostos a perdoar rachadinhas e mansões do que notas fiscais milionárias ou "prestação de serviço" que parece troca de favores. 

Sérgio Fernando Moro tem como Plano B, dizem, a candidatura ao Senado por São Paulo. Mas há um limite. Se perder o que lhe resta de credibilidade numa campanha pífia, em que expõe desconhecimento sobre o país e coleciona platitudes como "para vencer a miséria vamos criar uma Força-Tarefa", Moro pode ter dificuldades até para garantir uma vaga no Senado.

Em São Paulo, encontrará o terreno já congestionado por Datena, mais um bolsonarista ainda não definido e um nome da esquerda apoiado por Lula.

Se a esperança de Moro em São Paulo é unir forças com a turma de Kim Kataguiri e outros extremistas mirins, passará a campanha tendo que explicar se também é a favor de um Partido Nazista legalizado. Fora que precisaria estudar geografia, pra não confundir Pontal do Paranapanema com Dunas de Ipanema.

Geografia, respeito às provas e capacidade de articular o pensamento não parecem ser características fortes do ex-juiz, que em breve pode virar um náufrago da própria vaidade. Um náufrago político, bem remunerado, mas acossado por processos e denúncias.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email