Moro, Pastore e a social-democracia brasileira

Ao que tudo indica, Sérgio Moro será guiado, pelas mãos de Pastore, pelo caminho da privatização, da desnacionalização e do rigor fiscal como remédio para todos os males da economia

www.brasil247.com - Sergio Moro e Affonso Celso Pastore
Sergio Moro e Affonso Celso Pastore (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil | Marcos Oliveira/Agência Senado)


Affonso Celso Pastore, alçado ao posto de conselheiro econômico de Sérgio Moro, revelou-se recentemente otimista com a possível viabilização de uma “terceira via social-democrata”. Sim, o ortodoxo ex-presidente do Banco Central, onde esteve de 1983 a 1985 a serviço do ditador de plantão, general João Figueiredo, agora anda com economistas tucanos como Pedro Malan, Edmar Bacha e Armínio Fraga. Mais uma prova de que a social-democracia à moda brasileira é um tanto quando sui generis.

O passado condena. Antes de servir à ditadura em nível federal, Pastore colaborou com seus agentes de alcance estadual como secretário dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo, de 1979 a 1982, sob comando da dupla Paulo Maluf – José Maria Marin. O economista pulou do barco malufista antes que o escândalo da Paulipetro, que estourou o orçamento do estado, o alvejasse. Estouros de orçamento não combinam com economistas que dizem rezar pela cartilha da austeridade fiscal. 

A social-democracia brasileira, na qual Pastore hoje se inclui, aceita – e até aplaude – coisas como o teto de gastos da dobradinha Michel Temer – Henrique Meirelles, que boqueia a ampliação de investimentos públicos num dos países mais desiguais do mundo. Não bastasse, em recente artigo na imprensa o conselheiro de Moro escreveu que o protecionismo responde pelo retrocesso da indústria nacional.

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“É exatamente o oposto disso. Não foi o protecionismo que acabou com a indústria brasileira. O protecionismo como fator prejudicial à indústria sempre foi argumento ideológico das classes dominantes, principalmente a parte autodenominada ‘modernidade do sistema financeiro’, que acabou redundando na expressão política que foi o governo Collor, em 1990”, recordou à coluna o economista Paulo Kliass, especialista em políticas públicas e gestão governamental.

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O movimento liberaloide que elegeu Fernando Collor de Mello deixou o país em posição internacional subalterna na divisão internacional do trabalho. Explica Kliass: “A indústria cada vez mais foi perdendo espaço, exatamente por causa da abertura. Isso levou à desnacionalização e à desindustrialização. A partir dali, os setores que mais cresceram foram agronegócio, a indústria extrativa (ambos com vistas à exportação, principalmente) e a área de serviços, mas não os serviços qualificados da chamada terceira onda, e sim telemarketing, transportes desqualificados (Uber como exemplo) e outros. Foi uma precarização”.

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Basta verificar datas para identificar os verdadeiros destruidores da indústria brasileira, hoje um arremedo do que foi no passado, quando despontava como principal agente do desenvolvimento.  Há exatamente três décadas começou a “liberalização” ao estilo dos economistas liberais tupiniquins, sem projeto nacional, sem definição de áreas estratégicas e setores essenciais, bem diferente do que realizaram os governos Vargas e Juscelino, estadistas que, com erros e acertos, deram curso a projetos de desenvolvimento do país.

“Hoje, é tudo por conta das livres forças de mercado”, aponta Kliass.

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Ao que tudo indica, Sérgio Moro será guiado, pelas mãos de Pastore, pelo caminho da privatização, da desnacionalização e do rigor fiscal como remédio para todos os males da economia - como um verdadeiro social-democrata brasileiro. “No Brasil, não há contradição entre se apresentar como social-democrata e defender coisas como o teto de gastos”, nota Paulo Kliass.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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