Mudança de rumo com urgência

Estamos hoje diante de um quadro insustentável e que, com a recessão, tornou o drama mais urgente. Uma hora a conta vem

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Hoje enfrentamos a pior crise fiscal dos últimos 40 anos. Nem na chamada "década perdida" dos anos 80 tivemos uma situação fiscal tão ruim. O déficit da previdência era de 3% do PIB contra 7% hoje e, em pouco tempo, se nada for feito, vai chegar a 11% do PIB.

Nosso rombo fiscal chega a 12% do PIB computados com os benefícios da LOAS e as aposentadorias dos estados e municípios e mantido essa situação podemos dizer que estamos namorando com a hiperinflação novamente, o leão saiu da caverna, e temos Venezuela ao nosso lado para nós mostrar como é rápido o retorno para uma situação hiperinflacionária, por isso nesse momento de crise, uma liderança forte é fundamental, e medidas contundentes são mais do que necessária, não é momento de indecisão.

Se o governo usar impostos para cobrir o rombo atual, terá que elevar a carga tributária, saindo dos atuais 36% para 40% do PIB, algo que vai paralisar ainda mais a economia (nossa carga tributária é muito alta para um país do nosso nível de desenvolvimento, e era 24% do PIB em 1988).

Nosso problema central é que cerca de 75% do gasto federal é composto de pagamentos diretos a pessoas, com benefícios previdenciários e assistenciais, além do pessoa ativo e inativo, e esse gasto naturalmente tende a crescer sempre, e caso o executivo tente ajusta-lo a uma nova realidade, a resistência sempre é enorme, e quase tudo depende de emenda constitucional.

Estamos falando de um país que vive uma situação patética, onde 45% do valor criado pela sociedade brasileira passe pelo estado e mesmo com isso a capacidade de investimento em infraestrutura hoje é menos que em 1988, em 1988 o estado investia 3% do PIB e hoje investe 2,5% do PIB.

Estamos hoje diante de um quadro insustentável e que, com a recessão, tornou o drama mais urgente. Uma hora a conta vem e ir empurrando com a barriga e fingir que os problemas não existem não irão resolvê-lo. Nossa sociedade viciou em estado.

Batemos em um paredão e precisamos de liderança forte com credibilidade capaz de superar e enfrentar essa situação, e nos guiar, sobre pena de entrarmos um processo de convulsão social, e desestruturação severa onde poderá ter impactos imprevisíveis do ponto de vista político mais a frente.

Temos como parte da nossa cultura deixar tudo para a última hora e isso vai nos custar caro, pois o ajuste será feito as pressas e com muito custo social e quem vai pagar a conta será o mais pobre, pois nada é mais cruel que a inflação para o mais pobre.

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