Muito além do Palocci

Era preciso retomar a ofensiva judicial contra Lula e desviar a atenção da sociedade dessas denúncias que atingiam o centro nervoso do golpe. A solução encontrada foi usar o acovardado Palocci contra Lula

Era preciso retomar a ofensiva judicial contra Lula e desviar a atenção da sociedade dessas denúncias que atingiam o centro nervoso do golpe. A solução encontrada foi usar o acovardado Palocci contra Lula
Era preciso retomar a ofensiva judicial contra Lula e desviar a atenção da sociedade dessas denúncias que atingiam o centro nervoso do golpe. A solução encontrada foi usar o acovardado Palocci contra Lula (Foto: Benedita da Silva)
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Fatos recentes abalaram a confiança dos golpistas. O mais importante deles foi, sem dúvida, ver Lula arrastando multidões por todo o Nordeste.

Outros fatos ajudaram a desmoralizar ainda mais o governo golpista, como a descoberta das malas de dinheiro de Geddel, o braço direito de Temer; as trapalhadas de Janot na delação de Joesley Batista; e a denúncia de um delator sobre a negociação das multas no interior da Lava Jato feita por um advogado amigo de Moro. Toda essa podridão alertou a sociedade para o que ocorria por trás dos panos da Lava Jato.

Era preciso retomar a ofensiva judicial contra Lula e desviar a atenção da sociedade dessas denúncias que atingiam o centro nervoso do golpe. A solução encontrada foi usar o acovardado Palocci contra Lula.

Querendo se livrar da pena do tribunal de exceção, Palocci se sujeitou a colaborar com o inimigo aceitando vergonhosamente repetir as mentiras de Moro contra Lula e Dilma. Só os corajosos enfrentam a tempestade. Os covardes se afogam na lama. E é nesse depoimento de um Judas, enlameado de calúnias, que os vendilhões da pátria apostam o seu futuro.

Na realidade, somente no primeiro momento a maioria do povo se deixou iludir pelo falso combate à corrupção. Depois do fiasco da falta de provas do Triplex, o povo percebeu que a condenação de Lula era injusta e que o seu objetivo verdadeiro é impedi-lo de se candidatar a presidente da República.

Sentindo os efeitos do golpe no desemprego e na extinção de direitos sociais e trabalhistas, o povo começa a reagir, primeiro, apoiando Lula nas pesquisas, em seguida, o acompanhando pelo Nordeste.

Mas a vontade popular que se levantou no Nordeste já começa mobilizar segmentos mais conscientes do povo no Sudeste e do restante do país. Este é o único medo real dos golpistas: o povo mobilizado, lutando por democracia e pelo resgate de seus direitos e a soberania do país.

A TV Globo tirou o Nordeste de Lula do Jornal Nacional, mas não é só no Nordeste que se exige a volta de democracia, mas também em todo o Brasil. Além disso, várias forças sociais de Centro, que apoiaram o golpe, agora se afastam dele depois que contabilizaram seus prejuízos.

O povo não vai aceitar a prisão injusta de Lula, a cassação de seu direito democrático de ser candidato a presidente, conforme exige a vontade nacional majoritária e a opinião pública internacional.

A grandiosa tarefa de conscientizar e organizar o povo na luta contra o golpe não é apenas do PT, mas de todas as esquerdas. Ao fazerem eco à direita golpista, certas setores sectários das esquerdas acharam que Lula teria virado presa abatida pelo depoimento forjado do traidor Palocci.

Ledo engano. Isso não passa de cegueira política sem limites. A Caravana no Nordeste mostrou quem de fato mobiliza o povo, o único caminho para se derrotar o golpe, que representa o interesse comum de todas as esquerdas.

Não temos o direito de criticar a relativa passividade do povo, pois quando pudemos pouco fizemos para politizá-lo. A base popular continua submetida a várias camadas de desinformação diária e reage à extinção de seus direitos como pode. Mas não deixa de mostrar a sua disposição de luta, como ocorreu no Nordeste.

A enorme massa de excluídos e discriminados das favelas e periferias, as populações negras, as mulheres e as juventudes não têm alternativa a não ser a luta por democracia, mas dessa vez por um governo popular em que seus direitos estejam não apenas destacados no Programa, mas principalmente defendidos por suas organizações independentes.

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