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Washington Araújo

Mestre em Cinema, psicanalista, jornalista e conferencista, é autor de 19 livros publicados em diversos países. Professor de Comunicação, Sociologia, Geopolítica e Ética, tem mais de duas décadas de experiência na Secretaria-Geral da Mesa do Senado Federal. Especialista em IA, redes sociais e cultura global, atua na reflexão crítica sobre políticas públicas e direitos humanos. Produz o Podcast 1844 no Spotify e edita o site palavrafilmada.com.

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Muitos motivos para celebrar a Consciência Negra

Um dia dedicado a celebrar a Consciência Negra serve para manter na agenda da sociedade a grave questão racial do país. Facilita o debate sobre tema, para muitos, tão pouco auspicioso, interessante

Não concordo com um post bem badalado do Morgan Freeman desmerecendo a existência de um Dia da Consciência Negra. Segundo o post a ele atribuído, "o ideal seria um dia não para negros, brancos ou amarelos, mas sim um dia para a consciência humana".

Penso exatamente o contrário: o 20 de novembro, dedicado à Consciência Negra, serve para nos trazer uma questão inconveniente neste país do cinismo racial, nessa terra onde varremos o nosso racismo para baixo do tapete e nos iludimos com teses ambíguas como a de que no Brasil nunca teve nem existiu racismo.

Pior. Existe sim e muito racismo: observem a cor dos universitários, a cor dos magistrados e desembargadores, a cor dos senadores, a cor dos médicos, a cor dos que ocupam cargos de chefia em empresas públicas e também privadas. Se olharmos apenas esses indicadores poderíamos supor que nosso país tem imensa semelhança com o perfil étnicoracial dos países nórdicos, com a Holanda, a Noruega, a Dinamarca, e também países como a Áustria, Bélgica, Alemanha.

Um dia dedicado a celebrar a Consciência Negra serve para manter na agenda da sociedade a grave questão racial do país. Facilita o debate sobre tema, para muitos, tão pouco auspicioso, interessante. Se Freeman fosse levado ao pé da letra, não precisaríamos também de um Dia do Descobrimento do Brasil (afinal, quem disse que essa data não é exatamente a sua antítese, qual seja, o Dia do Encobrimento do Brasil?), nem seria útil ter um Dia da Mulher, afinal, todos os dias não devem ser também da mulher, das mulheres?

Celebrar uma data específica é questão de manter o foco, reter na mira, concentrar esforços para extirpar os males tão miseráveis e perniciosos como o são os que derivam do racismo, da discriminação racial. Por isso e muitos outros motivos celebro de peito, mente e coração abertos o dia 20 de Novembro.

E viva Zumbi dos Palmares, viva Enoch Olinga!

A propósito, para apoiar o transcurso desse Dia da Consciência Negra, apresento-lhes um campeão na luta pela igualdade racial, pela cidadania mundial plena: ENOCH OLINGA. Assistam aqui essa primeira parte do vídeo sobre sua vida.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.