Na defesa do marxismo vulgar e contra os eruditos pedantes

www.brasil247.com - Karl Marx
Karl Marx (Foto: Reprodução)
Siga o Brasil 247 no Google News

O a doutrina marxista é extremamente complexa, porém tornar-se marxista para quem provém das classes oprimidas é extremamente simples. 

Na lápide do túmulo de Marx há duas inscrições que provavelmente foram escolhidas por seu companheiro ideias Friedrich Engels e deviam já ter falado enquanto Marx era vivo, qual seria o desejo de Marx, a última frase do Manifesto do Partido Comunista “Trabalhadores de todo mundo, uni-vos” conclamando a união dos trabalhadores e a tese onze do que seria um texto original na sua lápide, retirado da última tese do opúsculo Teses sobre Feuerbach “Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo”. 

Para mim fica claro que o autor que tentou ligar a teoria com a prática era mais adepto da prática revolucionária do que ficar escrevendo e reescrevendo sobre o mesmo tema. Isso não quer dizer que Marx desdenhou de toda a sua enorme produção escrita, mas sim que ele sempre pensou mais da utilidade da prática revolucionária principalmente quando o movimento operário estava em ascenso deixando para estudar e escrever muito quando a situação não fosse a mais favorável. 

PUBLICIDADE

Por outro lado, os “eruditos” marxistas deitam e rolam tripudiando sobre o que eles chamam “marxismo vulgar”. Sem medo de errar posso dizer que Marx estaria mais próximo dos marxistas vulgares do que os “eruditos inúteis”. Digo isso baseado na única obra de vulgarização do Capital que foi escrita por um anarquista italiano, Carlo Cafiero, que foi prefaciada e aprovada por Marx. Cafieiro apesar de ter criticado violentamente Marx pela expulsão de Bakunin da Primeira Internacional ele fez um resumo do Capital para divulgação da teoria do Das Kapital a estudantes, operários instruídos e pequenos proprietários, porém por respeito ao mestre ele enviou duas cópias com uma carta pedindo a aprovação, a qual Marx respondeu com uma carta que no seu início, antes de uma pequena crítica ao prefácio Marx disse: 

“Caro cidadão 

Sinceros agradecimentos pelas duas cópias de seu trabalho! Há algum tempo recebi dois trabalhos semelhantes, um escrito em sérvio, outro em inglês (publicado nos Estados Unidos), mas ambos pecam, querendo fazer um resumo sucinto e popular da Capital e ao mesmo tempo atacando, pedantes demais à forma científica do tratamento. Ao fazer isso, eles me parecem mais ou menos perder seu objetivo principal: impressionar o público ao qual os resumos se destinam

PUBLICIDADE

E aqui está a grande superioridade do seu trabalho.....”. 

Ou seja, Marx mesmo sabendo que resumir e simplificá-lo em 120 páginas para um público menos iniciado a obra perderia um pouco o seu valor, por conta da simplicidade do trabalho de Cafiero esse resumo foi aceito e aconselhado por alguém que não se atinha em filigranas. 

O “marxismo vulgar”, condenado a torta e a direita, principalmente pela academia, é resultado da luta ou do aprendizado tardio de pessoas que de forma direta ou indireta, sofrem ou sentem o sofrimento das classes oprimidas e através de conceitos simples montam sem fugir dos conceitos básicos da luta de classes e do materialismo dialético. O conceito de luta de classes, qualquer operário que tenha alguma capacidade de perceber a realidade, ou sabe instintivamente o que é a luta de classes ou apreende o conceito em minutos, já o materialismo dialético, se for despojado das palavras e ensinado o conceito, também em minutos ele aprenderá. 

PUBLICIDADE

Porém, felizmente ou infelizmente, sempre há um porém, a “erudição” que assistimos nos comentários contra o chamado “marxismo vulgar” quando provém de elementos de direita ela sobrepõe a expressão a verdadeira ignorância, enquanto pedantes de esquerda são mais pedantes do que ignorantes, os pedantes de direita são meramente parnasianos, ou seja, seguem de forma equivocada o conceito do parnasianismo da "arte pela arte", procurando somente o uso de formas elegantes e totalmente vazias, sem entender o contexto mesmo do que acham que estão criticando. O mais grave desses críticos parnasianos de direita é quando eles caem em elucubrações fantasiosas tipo Olavo de Carvalho, misturando globalismo, críticas a “ideologia de gênero”, Gramsci, guerra de civilizações, decadência da sociedade e mais uma série de conceitos de livros que leram e não entenderam. 

Em resumo, as críticas ao “marxismo vulgar”, me ponho ao lado dos “vulgares” contra tanto aos marxistas de teoria sem prática (críticos a esquerda) como aos (críticos a direita), as críticas dos primeiros é principalmente fruto de narcisismo exacerbado, mas as dos segundos se anexa ao narcisismo, a ignorância e as elocubrações e delírios fantasiosos beirando ao doentio. 

PUBLICIDADE

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

PUBLICIDADE

Cortes 247

PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email