Não adianta dizer que o Delcídio não é bem assim um petista

É compreensível que boa parte da base mais à esquerda e mais programática não goste de Delcídio. E que não o considere assim tão petista. E muito mais um oportunista. Mas entre achar isso e ter coragem de sair dizendo isso por aí para se defender das malandragens que ele fez, aí já é demais

É compreensível que boa parte da base mais à esquerda e mais programática não goste de Delcídio. E que não o considere assim tão petista. E muito mais um oportunista. Mas entre achar isso e ter coragem de sair dizendo isso por aí para se defender das malandragens que ele fez, aí já é demais
É compreensível que boa parte da base mais à esquerda e mais programática não goste de Delcídio. E que não o considere assim tão petista. E muito mais um oportunista. Mas entre achar isso e ter coragem de sair dizendo isso por aí para se defender das malandragens que ele fez, aí já é demais (Foto: Renato Rovai)

O PT vem perdendo a vergonha há algum tempo e nesse período alguns petistas perderam completamente o senso de ridículo.

Depois da prisão de Delcídio, líder do governo no Senado, vários militantes passaram a dizer que o senador que está no partido desde 2002 na verdade era um tucano enrustido.

Assim fica fácil.

Depois de 13 anos filiado, de ter sido senador por dois mandatos, candidato a governador do seu estado por duas vezes, de ter se tornado líder do governo no Senado, de ter sido presidente de CPI, descobre-se que ele não é tão assim do partido.

É compreensível que boa parte da base mais à esquerda e mais programática não goste de Delcídio. E que não o considere assim tão petista. E muito mais um oportunista. Mas entre achar isso e ter coragem de sair dizendo isso por aí para se defender das malandragens que ele fez, aí já é demais.

Delcídio é do PT e ponto final.

E por isso mesmo a bancada do partido no Senado, com duas exceções, tentou fazer com que a manutenção da sua prisão fosse derrubada na sessão de ontem.

Além disso, a despeito da nota dura assinada por Rui Falcão, Delcídio ainda não foi expulso do PT.

E nesses casos, aqueles que respeitam sua militância deveriam deixar de fazer de conta que foram enganados por um espertalhão e buscar entender porque a legenda que ajudaram a construir se tornou um porto seguro para este tipo de bandido.

O que Delcídio tentou operar foi algo de organização criminosa. Quem monta esquema de fuga para bandido com recursos de corrupção não age sozinho. E até por isso, o banqueiro André Esteves também está preso.

Isso não quer dizer que o PT estivesse envolvido na operação. Aliás, não é gente do PT que Delcídio cita entre os que poderiam ajudá-lo. Ele diz que iria conversar com Renan e Michel (presidente do Senado e vice-presidente da República, do PMDB) para buscar interlocução com outros ministros do STF.

Mas mesmo assim o PT e seus militantes têm obrigação de tratar esse caso Delcídio como paradigmático. E para que isso ocorra não se deve tapar o sol com a peneira.

Deve-se reconhecer que o líder do governo no Senado era uma liderança importante do partido e criar mecanismos claros para impedir que isso continue a ocorrer. E em momentos como esses é preciso radicalizar.

Não basta dizer que aqueles que forem pegos fazendo o que Delcídio fez serão expulsos. Porque até na máfia isso acontece.

É preciso construir mecanismos para que novos Delcídios não tenham interesse em se filiar ao PT. Porque o partido criou mecanismo duros para combater qualquer tipo de desvio.

Não se pode ter medo de pecar por excesso num momento como o atual.

É melhor o excesso do que a leniência. A leniência e o discurso fajuto de que não é bem assim levaram o PT a uma situação humilhante. E próxima do fim.

E por isso mesmo ou o PT assume seus pecados e muda suas regras ou não será mais uma legenda importante no espectro político a partir das próximas eleições.

O tempo para a mudança já está na prorrogação.

E tem gente fazendo de conta que o jogo está só começando.

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