Não apagarão a chama da luta pelos direitos humanos

Na presença de sua mãe, dona Adriana, e advogados do IDDH (Instituto de Defensores de Direitos Humanos), Rafael Braga nos contou a injustiça que sofreu. Foi um relato comovente e convincente. Jovem, pobre e negro, ali estava mais um dos incontáveis casos com que a Casa Grande do século XXI usa como "exemplo" para ameaçar a "senzala"

www.brasil247.com - Na presença de sua mãe, dona Adriana, e advogados do IDDH (Instituto de Defensores de Direitos Humanos), Rafael Braga nos contou a injustiça que sofreu. Foi um relato comovente e convincente. Jovem, pobre e negro, ali estava mais um dos incontáveis casos com que a Casa Grande do século XXI usa como "exemplo" para ameaçar a "senzala"
Na presença de sua mãe, dona Adriana, e advogados do IDDH (Instituto de Defensores de Direitos Humanos), Rafael Braga nos contou a injustiça que sofreu. Foi um relato comovente e convincente. Jovem, pobre e negro, ali estava mais um dos incontáveis casos com que a Casa Grande do século XXI usa como "exemplo" para ameaçar a "senzala" (Foto: Benedita da Silva)


Na quinta-feira passada, dia 6 de julho, a Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados – CDHM, por meio de seu presidente, deputado Paulão e dos deputados Benedita da Silva e Wadih Damous, fez uma diligência para visitar Rafael Braga, preso em Bangu 2.

Na presença de sua mãe, dona Adriana, e advogados do IDDH (Instituto de Defensores de Direitos Humanos), Rafael Braga nos contou a injustiça que sofreu. Foi um relato comovente e convincente. Jovem, pobre e negro, ali estava mais um dos incontáveis casos com que a Casa Grande do século XXI usa como "exemplo" para ameaçar a "senzala".

Nada mais legítimo do que a campanha que os movimentos sociais fazem pela liberdade de Rafael Braga. O seu caso é a bandeira de luta contra o genocídio da juventude negra e a defesa dos direitos humanos, jogados no lixo pelo governo golpista.

No dia seguinte, estivemos nas comunidades do Alemão, Mangueira e Cantagalo ouvindo parentes de vítimas fatais, mães de alunos, líderes comunitários e organizações locais de direitos humanos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em todos os relatos, o mesmo denominador comum: a violência policial descontrolada, com policiais chegando até mesmo a agir de forma autônoma. Falar em respeito aos Direitos Humanos nas comunidades e na periferia é considerado uma piada. A Constituição Federal não passa da porta das comunidades.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O fato é que os moradores das comunidades do Rio de Janeiro, crianças, jovens e adultos, vivem numa zona de guerra permanente. São as vítimas inocentes da briga entre "o rochedo e o mar".

Para se ter ideia do clima de terror em que vivem, entre janeiro e junho desse ano, no Morro do Alemão, em apenas quatro dias não teve tiroteio. Uma das organizações que ouvimos é que faz esse levantamento na comunidade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nessas condições, as crianças correm grandes riscos para manter a presença escolar e, sob esse clima de medo, nada conseguem aprender.

Uma mãe presente disse que a sua filha de 9 anos ainda não sabe ler nem escrever. Mas a outra filha, de 22 anos, já está na faculdade, pois a sua infância se deu em momentos menos violentos. Uma netinha, de 3 anos, vendo a notícia da morte de uma outra criança, no Lins, pediu para a avó: "vovó, não deixe a polícia me matar".

Nas comunidades, as mortes quase sempre têm o mesmo perfil: adolescentes e negros. As causas alegadas pela polícia também se repetem: autos de resistência ou balas perdidas. E as mães ficam sempre desamparadas e sem nenhuma satisfação por parte das autoridades policiais e do Ministério Público.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A vitória do golpe contra a presidenta Dilma e o consequente fim das políticas sociais e de direitos humanos, bem como o desmantelamento do governo estadual só fizeram piorar algo que já era muito ruim ou mesmo inexistente: a segurança dos cidadãos que moram nas comunidades que, como os demais cidadãos, têm os mesmos direitos constitucionais.

Entregues à própria sorte, as UPPs perdem a sua missão original e se desfazem na velha e impune violência policial contra os moradores, com toda a sua sequência de abusos, extorsão e execuções de pessoas inocentes, inclusive crianças.

O lamentável nesse cenário é que eu acredito que os bons policiais acabam perdendo espaço e, muitas vezes, até a vida, dentro da corporação para um grupo de policias que age de forma autônoma e acima da responsabilidade e interesse do Estado.

Além disso, diante desse quadro de horrores, soa como ironia falarmos de bala perdida, pois de "perdida" ela não tem nada. Normalmente a bala perdida tem procedência definida e alvo certo, o sofrido povo das favelas e periferias do Rio do Janeiro.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email