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Mario Vitor Santos

Mario Vitor Santos é jornalista. É colunista do 247 e apresentador da TV 247. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.

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Não basta economia melhorar nem Bolsonaro virar nanico, Brasil só sai do buraco quando enfrentar questão militar

Não pode o país enfrentar Bolsonaro e seus seguidores golpistas e deixar impune e preservado o Alto Comando, responsável por este e outros abalos institucionais

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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A aprovação iminente de reformas como a tributária e a fiscal traz a impressão da chegada de novos ares, de que o governo Lula afinal obteve uma maioria parlamentar pontual, mas suficiente para afastar os perigos iniciais para a sua governabilidade, presentes desde sempre.

As últimas notícias econômicas vão em direção semelhante. Pelos índices oficiais, houve deflação em junho, a produção anual de grãos dá uma arremetida, o saldo comercial bate recorde.

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O real vem até de se valorizar diante do dólar. Falta pouco para encontrarem mais petróleo no litoral norte. São dados que excitam as aspirações eleitorais de Fernando Haddad, marcado de perto por Lula, que desistiu de negar que será candidato em 2026. O fogo amigo vindo de dentro do PT, de que Haddad se queixava tanto, amainou.

Por ora, a mídia corporativa, já deixou de se opor a Haddad, passando a ser visto por ela como uma vacina petista contra Lula.

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O centro fica congestionado. O bolsonarismo, além de acossado por procedimentos criminais de diversos tipos, vive crises internas expostas em público. As dissensões tornam-se acirradas e vazam apara os meios de comunicação. As vaias a Tarcísio de Freitas, o principal político bolsonarista (até quando?) em posição executiva, evidenciam o drama.

A extrema-direita divide-se entre a “liberal-fisiológica”, de Valdemar da Costa Neto, e o bolsonarismo-raiz. Ambas estão abrigadas no PL e acusam-se mutuamente, em busca de culpados.

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A dor das derrotas recomendaria uma caminhada do bolsonarismo para uma direita mais civilizada, em busca do centro e do voto feminino, fatores determinantes da vitória do PT.

Talvez isso esteja acontecendo em meio ao alarido, o bolsonarismo sinalizando a seus radicais seguira na extrema-direita enquanto na verdade olha mais ao centro. Um tal movimento talvez elevasse as chances de Bolsonaro na Justiça.

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Em meio a essa crise existencial, e como sinal dela, para mostrar que não se deixou abalar, o bolsonarismo tenta se agarrar à sua identidade partindo para o ataque a professores e na defesa estridente de que a população se arme.

É um apelo que busca reagrupar a base radical, espanta a atenção da luta interna incandescente apontando em direção a um inimigo mapeado. Uma tentativa de ganhar fôlego e escapar do cerco enquanto a poeira abaixa.

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Essa caminhada se dá em meio a uma retomada da temperatura habitual da política. Bem-vinda, desanuviadora, ela não deixa de ter um certo ar maçante, de cessação da batalha urgente de vida ou morte contra o golpe e o fascismo que deu sentido, galvanizou e sugou todas as energias dos últimos anos.

Até isso, entretanto, esconde outro recalque. Diante de todos está a evidente participação da cúpula das Forças Armadas em tudo que aconteceu. Não pode o país enfrentar Bolsonaro e seus seguidores que tentaram dar novo golpe em 8 de janeiro, mas deixar impune e preservado o Alto Comando, responsável por este e tantos outros abalos institucionais. O tédio e a falta de sentido, na verdade, encobrem o medo. 

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