Não consigo respirar

"Não consigo respirar porque na cadeira de presidente está alguém que aperta o pescoço de uma nação inteira, com o seu fascismo desmedido", escreve a jornalista Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia

(Foto: Divulgação)
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Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia 

Não consigo respirar, porque a imagem da morte de George Floyd sendo asfixiado por um policial branco, não sai da minha mente.

Não consigo respirar porque as cenas da violência de domingo, na Avenida Paulista e em frente ao Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, trazem até mim o gás das bombas que asfixiam os manifestantes e a indignação fecha a minha garganta.

Não consigo respirar ao constatar que no ano passado foram registradas mortes de 5.804 pessoas, no país, por policiais. (Fonte: Monitor da Violência)

Não consigo respirar pensando na agonia das mais de 30 mil vítimas pelo coronavírus, que morrem “afogados no seco” por falta do ar que poderia vir dos respiradores, mas o governo não providencia.

Não consigo respirar ao ouvir as frases desrespeitosas ditas a cada manhã por quem deveria consolar o país, sob um luto sem fim.

Não consigo respirar porque o general a postos para substituir àquele que nos ameaça, tem o mesmo tom autoritário do titular, embora use uma estranha “delicadeza”.

Não consigo respirar ao atestar que homens e mulheres seguem trabalhando sem proteção, no Brasil, porque a economia é mais importante do que as suas vidas.

Não consigo respirar quando vejo a precariedade das ambulâncias rodando com pacientes em busca de vagas em hospitais públicos lotados, enquanto sobram leitos em hospitais privados e bem equipados, mas que não são para o “bico” dos que agonizam.

Não consigo respirar porque as verbas que poderiam salvar vidas são vetadas e represadas em nome de uma burocracia hesitante, que prioriza regras, e não vida.

Não consigo respirar porque a fumaça exalada das queimadas da Amazônia, me sufocam, enquanto os colegas “se distraem” – nas palavras de Ricardo Salles – contabilizando mortes de pessoas que morreriam um dia, mesmo. “E daí?”

Não consigo respirar, em suspense sobre o próximo passo dos generais que dão as cartas em Brasília.

Não consigo respirar porque na cadeira de presidente está alguém que aperta o pescoço de uma nação inteira, com o seu fascismo desmedido.

Hoje eu não consigo respirar, mas estou tomando fôlego para gritar bem forte, da minha janela: fora Bolsonaro!

*(No título, a apropriação da frase de George Floyd, em sua agonia, é uma homenagem a todas as vítimas do preconceito e da violência. Aqui e em todo o mundo).

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