Não podemos fazer mais do mesmo

O "Pacto por Brasília" é uma esperança; servirá de norte para que, com criatividade, encontremos soluções para a crise financeira e não incorramos em apenas "fazer mais do mesmo"

Brasília, 08 de abril de 2013.                       FAQUINI                       Foto: Ademir Rodrigues
Brasília, 08 de abril de 2013. FAQUINI Foto: Ademir Rodrigues (Foto: Rodrigo Delmasso)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Quase cinquenta e cinco anos após Brasília ser inaugurada, poucos imaginavam que a administração da Capital da República pudesse chegar à situação de penúria financeira em que se encontra. É até estranho imaginar que o governo do lugar que se gaba de ter a melhor renda per capita e qualidade de vida do país esteja com cofres desabastecidos para manter serviços essenciais como limpeza urbana e pagamento de servidores. Mas isso é real! E faz com que todos se unam em prol de um objetivo: mudar esse quadro. Para tanto, o governador Rodrigo Rollemberg apresentou o que foi chamado de "Pacto por Brasília" – um plano com 21 propostas que vão contribuir para o reequilíbrio financeiro do GDF.

A ideia é boa. Traz instrumentos que são necessários para redução de gastos e sanear as contas públicas. É o caso do corte de despesas com carros oficiais e aluguel, renegociação de contratos, auditoria na folha de pagamento, redução de despesas com alimentação na Residência Oficial e leilão de dívidas. São medidas despidas de vaidades, pois cortam na própria carne. No momento em que se fala em resgate da credibilidade e retomada do desenvolvimento econômico e social, tais iniciativas mostram que o governo está no caminho certo. E, sem dúvida nenhuma, contará com a Câmara Legislativa para que essas propostas se tornem realidade.

Por outro lado, serão necessários esforços no sentido de encontrar alternativas para amenizar os impactos de outras medidas anunciadas no pacote. Caso do aumento de impostos e o fim de incentivos fiscais. São propostas que trazem resultados? Sim. Mas, assim como houve criatividade para fazer cortes de algumas despesas, o ideal é que essas outras medidas também sigam a mesma linha. Afinal, a população não pode pagar a maior fatia da conta. Seria uma injustiça social. Isso porque a sociedade já paga caro por serviços públicos cheios de falhas. Sob essa ótica, o governo, nesta hora, deve ser inovador e empreendedor; adotar outras formas de captação de recursos. O que, aparentemente, é uma disposição latente da atual gestão.

É isso que a população do DF espera! Ações de saneamento de problemas financeiros são necessárias e até bem-vindas. Mas, há que se ressaltar, que precisam ter foco no desenvolvimento. É preciso ousar! Ter a percepção que o setor privado pode e deve ser parceiro em implementação de políticas públicas. Quer um exemplo? Em ações voltadas ao esporte, cultura e lazer, uma Parceria Público-Privada onerosa envolvendo o Estádio Nacional, o Autódromo Nelson Piquet, o Centro de Convenções Ulysses Guimarães e o Planetário geraria bons resultados. Isso significaria uma renda imediata ao GDF, paga na condição de ágio pela empresa ou consórcio interessado em explorar esses espaços, além de repasses mensais oriundos da arrecadação mensal e a geração de emprego. Medidas como essa desoneraria o Estado, que hoje tem um elevado custo com a manutenção desses bens públicos aumentando assim o medonho 'rombo' de que todos falam.

Não é à toa que a frase "dificuldade gera oportunidade" nunca deixa de ser atual e faz tanto sucesso por aí. Os momentos de crise servem de estímulo a ousar, inovar e empreender. Nessas horas, minimizar custos deve sim ser a palavra de ordem. Mas ela precisa ser associada ao futuro. A algo que trará benefícios não apenas instantâneos, mas também de longo prazo. Aumentar impostos ajuda a máquina funcionar, mas empobrece a força produtiva. Faz diminuir a capacidade de investimento e a geração de emprego e renda. Para uma unidade da federação em que o número de pessoas sem trabalho já passa a casa dos 12%, não é interessante interferir nesse ciclo. Ainda mais num momento em que empresas e população já sofrem com o arrocho do Governo Federal, que aumentou impostos e os juros.

O "Pacto por Brasília" é uma esperança; servirá de norte para que, com criatividade, encontremos soluções para a crise financeira e não incorramos em apenas "fazer mais do mesmo". Aliás, não fazer isso foi uma promessa de campanha do governador, sob as áureas de que a geração Brasília faria o melhor pela cidade e seu povo. Isso é o que todos esperam!

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247