Não queremos ver, precisamos ampliar nossos horizontes ou somos irresponsáveis?

Tenho a nítida impressão que o drama vivenciado por nossas empresas ocorre pela postura equivocada no que diz respeito a tributações

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Conheço um filme muito interessante cujo personagem principal foi o famoso ator já falecido James Dean, e o nome do filme que ele atuou foi Rebeldes sem causa (Juventude Transviada) de 1955, o mesmo ilustra muito bem a realidade dos empresários brasileiros. Há uma cena emblemática e realça o efeito nocivo da falta de bons referenciais de conhecimento necessário para agir, de responsabilidade, de noção e a implicação das ações de quem esta no comando dirigindo o veiculo.

Neste filme os jovens não mensuravam as consequências de suas atitudes, pois viviam de aventuras e atitudes irresponsáveis e impensadas.

A cena que destaco é aquela onde os jovens estão dentro de dois carros e eles haviam "combinado" que para saber quem era mais corajoso, ambos deveriam ir rumo a um despenhadeiro com os carros em alta velocidade com a seguinte propósito quem ficar até o fim venceria a disputa e seria o mais corajoso; mas quem pulasse primeiro perderia. No filme apenas um sobrevive, porque quando ele tentou sair do carro ficou preso e não teve condições de saltar. Muitos empresários estão assim hoje no Brasil, porque estão presos a uma política que não os permitem crescerem.

Tenho a nítida impressão que o drama vivenciado por nossas empresas ocorre pela postura equivocada no que diz respeito a tributações. É sabido por todos que muitos empresários não estão sobrevivendo devido aos gargalos que enfrentam desde o dia que concebem uma empresa e desta forma são vitimas de um sistema altamente cruel, corrosivo e por isso abrir uma empresa no Brasil uma atitude irresponsável e depois que abre não consegue saltar e sair fora desta teia que destrói grandes, médios e pequenos empresários.

No entanto, no filme a morte anunciada foi por irresponsabilidade, mas no Brasil os nossos empreendedores concebem empresas não com esta perspectiva, mas sim por terem um sonho de construir uma historia de sucesso.

No entanto quem esta no comando tem uma visão apenas política e teórica do que é ser empresário no Brasil, por isso é muito difícil ser empresário no Brasil e desta forma parece que estamos indo para o despenhadeiro.

A minha percepção é que os governantes não têm a devida noção de como devem cuidar dos empreendedores brasileiros. Agem como se não soubessem que são empresários que geram empregabilidade e renda na sociedade, ou seja, fazem a economia girar e ser dinâmica. Os nossos lideres políticos e outros olham com um único viés que é o das eleições partidárias e da luta de classe e assim favorecem apenas seus aliados em épocas de campanhas.

As empresas brasileiras estão inseridas em um sistema financeiro, social econômico, educacional e cultural que são forjados a partir de leis que os governantes, os políticos as fazem com o simples objetivo de penalizar aqueles empresários que desejam ser honestos. Isto sem falar no jogo politico que os empresários estão presos, porque se tiverem um posicionamento politico podem ficar sem financiamento e serem tratados como até adversários.

Como educador, devo convidar-nos a olharmos para alguns pontos que considero imprescindíveis a fim de termos uma sociedade com melhores oportunidades para todos nós, mas para que isto ocorra passa necessariamente por empresas fortes e consolidadas.

Recentemente, Nizan Guanaes disse: O crescimento do Brasil neste século esta intimamente ligado ao crescimento de suas grandes empresas. Elas serão o melhor motor da economia. Ele continua: Nada disso estará garantido, numa competição global e feroz em que empresas e empreendedores brasileiros enfrentam velhos e novos problemas, uma carga tributária pesada e irracional, um ambiente de negócios cheio de dificuldades, uma força de trabalho carente de treinamento e educação, uma infra-estrutura precária e custos exorbitantes.

Mas vamos aos pontos que gostaria de realçar e sublinhar:

1º Não estamos querendo ver.

Talvez muitos políticos, governantes não saibam que as micro e pequenas empresas, para sobreviverem, enfrentam enormes e sérios desafios desde o seu nascedouro, pois falta incentivos fiscais adequados por parte do governo, ou seja, talvez precisaríamos de um banco exclusivo para os micro e pequenos empresários, com atendimento especial e condições para a recuperação de crédito, porque no percurso surgem inúmeros desafios que desestabiliza qualquer empreendedor brasileiro. Inclusive fatores exógenos, mesmo porque as relações comerciais e prestações de serviços estão num contexto globalizado.

Para alguns, ao propormos ações pontuais do governo seria como um privilégio, no entanto, é interessante destacarmos que os números de mortalidade das micro e pequenas empresas são alarmantes, ou seja, quase 50% morrem em três anos, com estes dados estatísticos fica evidente que nós não estamos querendo ver a realidade que esta evidente e mesmo assim apregoamos e desejamos crescimento e desenvolvimento de nossas cidades, estados e país.

Esta realidade que nossas empresas enfrentam prejudica toda uma cadeia; o proprietário, os funcionários, suas famílias e o governo que não arrecada e não pode prestar os serviços de qualidade a população. E assim a região, o estado e os municípios não desenvolvem por falta de arrecadação.

É bem verdade que o SEBRAE tem dado apoio e condições para muitos se manterem em pé, através de cursos, palestras, orientando sobre linhas de crédito. Temos o Banco do Povo, e outros órgãos dos governos federal, estadual e municipal que nos auxiliam, inclusive o BNDES que as vezes apoiam os micro, pequenos empresários e empreendedores individuais, mas não é fácil.

Será que é apenas falta de conhecimento do empreendedor no ramo que ele atua como alguns dizem e por isso as empresas fecham? Não seria importante questionarmos como anda a nossa carga tributária? Será que não é alta demais no Brasil e por isso as empresas tem dificuldades extremas de se manterem? Vejamos estes dados: Entre os 30 países desenvolvidos, o Brasil é o que cobra mais impostos, e ocupa a 30ª posição.

2º Precisamos ampliar nossos horizontes.

Existem países que podem ser utilizados como modelos dos que superaram suas crises econômicas agudas através de estímulos econômicos e incentivos fiscais que possibilitaram seus empresários e empreendedores individuais conseguirem se firmar em um ramo ou segmento que atuam. Basta observarmos os tigres asiáticos, Alemanha, Japão, a China dentre outros.

Conhecimento/qualificação, inovação tecnológica,P&D e investimento nas empresas foram necessários; tiveram a ousadia e o interesse de desburocratizar as linhas de crédito e não apenas dar com uma mão e tirar com a outra; porque somente a desoneração da folha de pagamento de algumas empresas no Brasil não foi o suficiente para aliviar nossa vida como empresário, mesmo porque alguns poucos segmentos foram beneficiados e assim não aliviou em nada a vida da população.

Recentemente ouvi uma entrevista de um CEO em uma emissora, ele disse: "Abrir empresa no Brasil é algo insano é difícil demais e beira a irresponsabilidade".Isto já é de domínio público.

Algo semelhante foi dito em um artigo da revista Carta Capital que analisava comparativamente as condições das empresas brasileiras com a dos países emergentes e os desenvolvidos.

Neste instante fiquei pensando, será que não podemos fazer nada para mudar esta realidade e assim deve-se aceitar passivamente?
Depois do diagnostico que já é de domínio público precisamos partir para a ação a fim de solucionar os problemas detectados.
Por que devemos aceitar este horizonte trágico passivamente?, pois é um cenário econômico caótico que penaliza todos nós.Estamos agimos estilo Gabriela: "Eu nasci assim vou morrer assim".

Outro aspecto que devemos destacar que passa pelo nosso diagnostico é que nossas universidades estão desfocadas e desta maneira não qualificam os alunos como deviam Vejamos o que diz Jose Pastore: "A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de "geração do diploma" é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.

"Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria", diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP".

Outro aspecto é que as ações realizadas pelo governo são tímidas e pouco planejadas para potencializar os jovens a serem empreendedores, com isto não conseguimos chegar ao nível de excelência, pois apenas alguns dão "sorte" quando iniciam um empreendimento.

Isto é semelhante ao que ocorre em muitas escolas. O professor ganha mal, ministra mal as aulas, o aluno finge que aprende e nós queremos o sucesso. Será que os resultados do PISA não nos diz nada e não devemos acender a luz vermelha para o fim que nos espera? E ainda mais quando o aluno vai fazer o "vestibular" não passa, apesar de gastarmos quase 20 anos de sua vida preparando-o e investindo dinheiro e quando chega famigerado vestibular ele é reprovado.

Nós devemos e podemos melhorar esta realidade, mas para isto deve-se repensar o caminho que estamos perseguindo. Urge avaliarmos o conteúdo programático dos cursos, investir em conhecimento, inovação tecnológica e pagar salários dignos aos nossos professores, para que os mesmos sejam capazes de descobrir talentos de nossos alunos e não apenas ficar repetindo conteúdos do século passado e ultrapassados sem aplicabilidade prática e sem condições de promover o mesmo a um novo patamar, gasta-se muito tempo estudando para nada e para lugar nenhum o conhecimento adquirido em nossas escolas são utilizados.

Se quisermos mudar de verdade o Brasil continuar como estamos fazendo com nossos estudantes nas escolas de educação básica e superior e nem com os empresários. Não podemos admitir uma carga tributária tão elevada e um custo Brasil tão esquisito que não permite o governo e nem os empresários serem honestos quando a questão é pagar impostos, taxas etc.

3º Somos irresponsáveis?

Os dados estatísticos no que diz aos impostos que as empresas e o cidadão comum paga são muitos pesados. Você sabia que por ano o cidadão paga no mínimo R$ 8.000,00 (oito mil reais) 35,5% de toda renda gerada no Brasil?

As empresas pagam água, luz, telefone, net, manutenção, aluguel, FGTS, impostos municipais, estaduais e federais dependendo do ramo, tem mais taxas etc.

Com isto tudo no final do mês a conta não fecha. PIS, COFINS, IRPJ, CSLL, IPI, ICMS, ISS encargos INSS e FGTS. Isto sem falar que assinar a carteira de um funcionário fica muito pesado no Brasil. Será que não podemos repensar nossa CLT? Ou somos irresponsáveis ou porque este modelo agrada os nossos sindicatos, os governos, ou quem quer que seja? Com isto o principal objetivo é convidar-nos a uma reflexão com o proposito de criarmos alternativas que sejam mais adequadas para todos e não atacar ninguém.

Nesta hora penso que somos irresponsáveis, pois desta maneira não existe possibilidades de termos sucesso e uma qualidade de vida, pois as empresas são reféns de uma situação e irresponsável de carga tributaria elevadíssima no Brasil, porém, ninguém quer colocar a mão no vespeiro. E assim a nossa legislação penaliza quem deseja trabalhar obedecendo às leis.

Precisamos reavaliar nossas relações trabalhistas e sindicais que são do inicio do século XX e também as nossas cargas tributarias que sufocam qualquer empresa.

Estamos semelhantes a uma cobra decapitada que come a si mesma pelo rabo.

Conforme diz Marcos Cintra (economista), queremos uma economia sólida, mas apertamos demais as empresas; Veja o que ele disse recentemente: uma firma no Brasil gasta 2600 horas com impostos, o segundo colocado é a Bolívia e gasta 1080 horas. Neste instante complemento dizendo um ditado bíblico: "A teta se apertar demais produz sangue e não leite".

Finalizando 4º Podemos mudar esta lógica Perversa.

Mas para isto foi necessário descrever e diagnosticar nossa realidade, porem não estamos criticando e falando mal do Governo, mas apresentando "novos" caminhos e ressaltando a importância do SEBRAE que tem programas de altíssimo nível e vem atuando em nosso Estado, pais e de algumas politicas publicas adotadas pelo governo federal, mas ambos precisam ser mais agressivos e inovadores a fim de viabilizarmos que os estados, os municípios e o país saia do vermelho.

O Governo esta adotando alguns politicas públicas porem são muito tímidas e desta maneira as empresas não estão sendo contempladas como deviam e assim a falência é inevitável, não somente dos pequenos mas dos grandes também.

Para conseguirmos superar os gargalos, os dramas e dificuldades empresariais e o desenvolvimento ser uma marca constante para nós empresários, urge repensarmos o custo Brasil e adotarmos uma serie de medidas especificas para cada setor e segmento.

Os empresários não podem abrir mão de bater na porta de nossos representantes políticos locais, estaduais e nacional para que eles criem leis que possam contribuir efetivamente com nosso desenvolvimento e as leis sejam menos injustas e não apenas sufoquem os empresários como tem acontecido no Brasil. Os sindicatos devem agir como aliados e não como lobos vorazes que pesam apenas em arrecadar dos trabalhadores, pois a força sindical deve ser valorizada neste importante jogo de interesses global que estamos inseridos.

Precisamos lutar para robustecer os APLs (Arranjos Produtivos Locais) a fim de fortalecer as vantagens comparativas de cada região e Estado e nos inserirmos globalmente de maneira mais competitiva.

Precisamos investir em qualificação com apoio da CNI e todos os órgãos que debatem a questão empresarial e assim sairmos da visão tacanha e maniqueísta que coloca as pessoas dentro do mesmo barco furado, porém um se considera o bem e o outro o mal. No entanto, o barco é o mesmo e esta afundando. Se faz necessário estabelecermos solidas e eficazes parcerias com o SEBRAE com as SICs Municipal, Estadual e outras esferas do Governo Federal a fim de criarmos um programa de Estado e não de governo para alavancarmos as empresas que estão a beira da falência e reposicionarmos cada vez melhor as que estão bem estruturadas. Neste instante os sindicatos jogam um papel imprescindível para juntos pensarmos caminhos alternativos.

Desta forma veremos muitos de nós empresários com sucesso e atuando em outros Estados, cidades e países. Em alguns poucos casos no Brasil isto já é uma realidade, mas podemos e devemos ampliar os horizontes e não desejarmos exclusividade baseado na sorte.
Deixaremos de ser vítimas da improvisação e de leis que prejudicam a todos nós, porquea maioria dos empresários são pessoas responsáveis, capazes e com vontade de fazer o bem e por isso os governos não devem obrigá-los a ficar com pires nas mãos e enfrentando situações constrangedoras e de um outro lado do barco os sindicatos apenas arrecadando dos seus filiados e não filiados com a contribuição compulsória.

Gostaria de concluir a partir do entendimento de Nizan Guanaes: "Podemos fazer a diferença com condições certas, os empreendedores e suas empresas transformaram suas comunidades e transformaram o Brasil. Uma grande nação se faz com grandes empresas."
Para qualquer município, Estado e o país ser grande precisamos de grandes e fortes empresas não apenas no tamanho mas em qualidade e solidez e mão de obra qualificada que tenha condições de garantir competitividade.

Que possamos ter lucidez e coragem para fazermos o melhor em cada lugar que estivermos como: político, empresários, professores, alunos, jornalistas, um cidadão comum ou qualquer que seja nossa profissão, no entanto, para isso urge ampliar nossos horizontes com politicas publicas mais adequadas para todos empresários e empreendedores de nosso país.

Não podemos colocar os empresários numa trincheira e destruí-los acreditando que estamos numa eterna luta de classes como sempre apregoou Karl Marx e seus seguidores e mesmo assim desejarmos que nosso pais cresça, pois agindo assim já é sandice. Os alemães utilizam Marx apenas para conhecer a história não como modelo de relações trabalhistas e econômicas para o seculo XXI a ser seguido como muitos teóricos brasileiros ainda insistem e alimentam disso cotidianamente.

Desta forma apenas tensionam as relações e assim não conseguimos criar novas possibilidades para esta nova relação que esta surgindo entre: governo, empresário e empregado e não sermos tão fragilizados como país.

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