“Não vou renunciar!” – o último discurso de Allende

"O golpe foi arquitetado, financiado e executado pelo governo dos EUA por meio do envolvimento direto da CIA e mercenários conspiradores", escreve o colunista Jeferson Miola sobre o golpe contra o presidente do Chile em 11 de setembro de 1973

Salvador Allende
Salvador Allende (Foto: Reuters)
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Não vou renunciar!

Colocado nesta encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que foi plantada na consciência digna de milhares e milhares de chilenos não poderá ser ceifada definitivamente. Eles têm a força, poderão nos avassalar, porém não se detêm os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Seguirão me ouvindo. (…) Sigam sabendo vocês que, muito mais cedo do que tarde, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor”.

Este são trechos do último discurso proferido pelo Presidente do Chile, Salvador Allende, por volta das 9:12 horas do dia 11 de setembro de 1973 na Rádio Magallanes, desde o Palácio de La Moneda. O áudio pode ser ouvido na íntegra aqui.

Ao fundo, se escuta ruído de aviões sobrevoando a cidade de Santiago e disparos de metralhadoras contra o La Moneda, que algumas horas depois seria pesadamente bombardeado, consumando o golpe fascista e civil-militar que derrubou o governo socialista de Salvador Allende, eleito democraticamente em setembro de 1970.

O golpe foi arquitetado, financiado e executado pelo governo dos EUA por meio do envolvimento direto da CIA e mercenários conspiradores.

O mesmo modelo de intervenção criminosa e interferência ilegal em assuntos internos dos países para implantar ditaduras sanguinárias em várias nações das Américas nas últimas 8 décadas , como ocorreu na Guatemala, República Dominicana, Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Peru, El Salvador, Nicarágua, Panamá, Granada, Paraguai, Honduras e, uma vez mais, nos anos recentes, com reprises na Bolívia, Brasil, Equador …

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