Necropolítica: aos banqueiros R$ 1,2 trilhão, à economia real e à saúde R$ 147 bi; aos trabalhadores fome!

A professora Elenira Vilela compara os pacotes de Bolsonaro aos bancos, à economia e a MP do desemprego, que irá massacrar os trabalhadores:para os bancos, R$ 1,2 tri; para a economia real, R$ 147 bi; para os trabalhadores, "uma banana"

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Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto (Foto: Marcos Corrêa/PR)
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Neste domingo, Jair Bolsonaro lançou a MP927/2020 flexibilizando ainda mais as relações de trabalho e os direitos já tão atacados pela lei das terceirizações e pela reforma trabalhista. 

A MP permitia, entre outras medidas, a suspensão do contrato de trabalho por 4 meses à guisa de fictícia capacitação sem garantia de nenhum patamar de remuneração (pode ser R$1 de salário).  Depois de rechaço geral, principalmente dos trabalhadores, mas também do Congresso e comentaristas da imprensa, ele voltou atrás há pouco. Mas ainda não temos a edição da nova MP revogando a 927. Parece que está usando a velha tática do bode na sala. Agora a perspectiva de corte de 50% do salário parece um alívio, continua criminosa. O texto permanece e autoriza ainda a negociação direta de condições de teletrabalho e antecipação de férias com aviso de 48h e sem garantia de recebimento do adicional até o dia de pagamento do 13º salário. Para completar, reduz a possibilidade de fiscalização dessas mudanças nos contratos de trabalho.

Nesta segunda (23), logo pela manhã,  o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciou um pacote de medidas para garantir a liquidez ao "mercado" num valor estimado em R$1,2 trilhão, nas palavras dele "o maior plano de injeção de liquidez de capital da história do país" (veja aqui).

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Durante sua exposição, Campos Neto e alguns outros diretores explicam que não há nenhum instiuição financeira com problemas de liquidez ainda e que nenhuma precisou ser socorrida, esse pacote é “preventivo”. As medidas dão conta de redução de depósito compulsório, redução dos depósitos compulsórios, liberação de emissão de títulos e de disponibilização de aporte de recursos do próprio Banco Central. A parte mais substancial das medidas se refere à redução dos provisionamentos e depósitos de garantias e lastro de 20 a 50% das anteriormente praticadas que já eram as de um mercado pouco regulamentado se comparados aos dos países capitalistas centrais.

Perguntado por dois jornalistas de quais medidas estavam sendo tomadas para prevenir o “empoçamento da liquidez”, isto é, garantir que o crédito realmente chegue à economia real e não fique empoçado nos próprios bancos, os diretores do BC responderamm que eles não vão intervir, que somente as instituições financeiras têm capacidade de avaliar as condições de disponibilização de crédito e análise de risco. Trocando em miúdos: todo o dinheiro disponibilizado não chegará a ninguém na economia real e poderá ser aplicado de maneira a dar ainda mais lucros aos bancos, sem garantia de movimentar a economia real,  onde o próprio Campos Neto admite que reside a crise.

Na entrevista, os dirigentes do BC afirmaram várias vezes  que há muitas fórmulas inéditas sendo testadas com esses recursos e que os aportes serão muitas vezes maiores que os utilizados em 2008 e bem maiores do que os próprios cálculos de necessidade atual do mercado feitos pelo próprio Banco. 

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A verdade é que para os banqueiros nunca faltaram recursos desde o golpe contra Dilma. Para uma comparação, o governo pretende arrecadar com a venda emergencial do complexo da Eletrobrás o montante de R$ 16 bilhões, corresponde a 1/75 do disponibilizado às instituições financeiras.

É até ofensiva a comparação entre os recursos destinados aos bancos e aques a serem utilizados no aumento de aporte para a saúde pública a fim de evitar o colapso, o abono de R$ 200, o adiamento de cobrança de dívidas e os créditos disponiblizados para empresas produtivas e o aumento do número de famílias no Bolsa Família. Enquanto estes  somam R$ 147 bilhões, o recurso disponibilizado aos bancos é 8 vezes maior (R$ 1,2 tri) sem a necessidade de garantias nem exigências de investimento na economia real, voltadas a salvar vidas, empregos, empresas.

Enquanto isso, para a massa de trabalhadores formais, a MP genocida de Bolsonaro promete espalhar desemprego e miséria em plena crise do coronvírus. Para ps trabalhadores e trabalhadoras, uma banana

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O governo Bolsonaro planta o caos e vai colher a morte.

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