“Nem a guerra entre as torcidas nem a paz entre as classes”

A brutal ofensiva da burguesia contra os direitos dos trabalhadores só poderá ser enfrentada por meio da conjunção da luta política com a social, com ampla mobilização, forte organização e unidade

A brutal ofensiva da burguesia contra os direitos dos trabalhadores só poderá ser enfrentada por meio da conjunção da luta política com a social, com ampla mobilização, forte organização e unidade
A brutal ofensiva da burguesia contra os direitos dos trabalhadores só poderá ser enfrentada por meio da conjunção da luta política com a social, com ampla mobilização, forte organização e unidade (Foto: José Reinaldo Carvalho)
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A luta dos trabalhadores brasileiros contra a ofensiva brutal da burguesia sobre seus direitos teve uma expressão política concentrada na semana passada em torno do famigerado Projeto de Lei 4330, que dispõe sobre a terceirização, que outra coisa não é senão a precarização do trabalho.

O projeto foi aprovado depois de atropelo legislativo sob o comando do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que diuturnamente deposita na vida política nacional o ovo da serpente do golpismo e do fascismo, fazendo aprovar a toque de caixa e recorrendo a truques regimentais antidemocráticos leis obscurantistas e reacionárias.

Foi uma luta desigual, em que ficaram claramente demarcados dois campos classistas opostos. Apenas três partidos declararam com nitidez o voto contrário ao projeto burguês – PT, PSOL e PCdoB. Os demais, inclusive agremiações democráticas e de centro-esquerda, como o PDT - que integra a base do governo e tem a titularidade do Ministério do Trabalho, cuja função precípua é assegurar o estrito respeito aos direitos dos assalariados e a rigorosa aplicação da Consolidação das Leis do Trabalho - votaram a favor do Projeto de Lei. Dos partidos neoliberais e conservadores da oposição ou dos que por oportunismo proclamam "independência", mas na prática se alinham à direita do espectro político-ideológico, não se esperava outra coisa.

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É notável também a posição das organizações patronais, para as quais palavras como terceirização, precarização, espoliação do trabalhador soam como música. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, fez peregrinação em Brasília, visitou gabinetes de deputados e concedeu entrevistas defendendo a aprovação do Projeto de Lei, enquanto na área externa da casa legislativa a Polícia Militar reprimia violentamente os sindicalistas que se deslocaram a Brasília para protestar.

A posição dos partidos de esquerda é absolutamente natural, tendo em vista seus programas e estatutos socialistas e a inalienável posição classista, que consiste na firme defesa dos interesses fundamentais dos trabalhadores, em antagonismo com a opressão e a exploração capitalistas.

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A correlação de forças classistas é ainda enormemente desfavorável no Brasil. A brutal ofensiva da burguesia contra os direitos dos trabalhadores só poderá ser enfrentada por meio da conjunção da luta política com a social, com ampla mobilização, forte organização e unidade.

Em tempos de finais da Copa Nordeste, grande sucesso de público e emoção à flor da pele, vale o que está escrito numa faixa da torcida do Bahia: "Nem a guerra entre as torcidas nem a paz entre as classes".

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