Nestor Cerveró, o homem-bomba, frustra a oposição

A estratégia de antecipar as declarações de Cerveró para forçar a instalação da CPI caiu no vazio. Sem qualquer pressa, o Congresso agora só volta ao assunto depois do feriado

Nem documentos reveladores, nem declarações bombásticas – o depoimento de Nestor Cerveró, o ex-diretor da empresa, a deputados de duas comissões temáticas da Câmara passou longe de transformá-lo no homem-bomba que faria ressuscitar a CPI da Petrobrás.

Cerveró declarou seu orgulho de ter trabalhado por 39 anos na Petrobrás, que considera uma “grande família” e sustentou sua própria versão sobre o malfadado negócio da compra da refinaria de Pasadena, sem acrescentar nenhuma novidade. Não responsabilizou Dilma Rousseff pela decisão da compra, nem classificou a operação como mau negócio.

Com frieza e precisão técnicas, declarou que o negócio, nos idos de 2006, era perfeito para os planos de expansão internacional da Petrobrás, ditados pelo governo Lula. “Foi um projeto não-realizado plenamente. Houve uma mudança de decisão estratégica em função da nova realidade do mercado brasileiro, que passou a demandar novas refinarias, e investimento no pré-sal” – explica.

Pela singela explicação de Cerveró, ninguém errou. Só que a tal “mudança de decisão estratégica” custou perdas de pelo menos meio bilhão de dólares – conforme cálculos da atual presidente da Petrobrás, Graça Foster. Difícil de engolir, principalmente quando a conta sobra para a viúva.

Mas Cerveró prestou melhor serviço ao Planalto que a própria Foster. O recém demitido diretor da Petrobrás esvaziou qualquer expectativa de fatos novos sobre a operação. Sustentou que as duas cláusulas omitidas no resumo do relatório que fundamentou a decisão da compra de Pasadena não são relevantes, porque são padrão neste tipo de contrato. Apesar de contradizer Dilma neste ponto, não atacou a presidente nem julgou se houve erro da parte dela.

A estratégia de antecipar as declarações de Cerveró para forçar a instalação da CPI caiu no vazio. Sem qualquer pressa, o Congresso agora só volta ao assunto depois do feriado.

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