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Tereza Cruvinel

Colunista/comentarista do Brasil247, fundadora e ex-presidente da EBC/TV Brasil, ex-colunista de O Globo, JB, Correio Braziliense, RedeTV e outros veículos.

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Nísia: vacina contra a dengue não faz milagre durante o surto

"Lula elogiou a ministra, inclusive seu estilo suave, deixando claro que ela tem seu apoio", escreve a jornalista Tereza Cruvinel

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Lula tomando vacina em Brasília (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

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Dentro do esforço para melhorar a comunicação do Governo, o presidente Lula participará pessoalmente de entrevistas coletivas de seus ministros sobre as ações de suas pastas. Nesta segunda-feira, o evento foi com a ministra da Saúde, Nísia Trindade, cuja pasta é ambicionada pelo Centrão e enfrenta críticas relacionadas com o combate à epidemia de dengue. Para dar bom exemplo, Lula se vacinou contra a gripe no local, dizendo: "Tomem a vacina. Ninguém vai virar jacaré", em referência a uma blague negacionista do antecessor Bolsonaro na pandemia.

Lula elogiou a ministra, inclusive seu estilo suave, deixando claro que ela tem seu apoio e que a pasta não está disponível.

O surto de dengue foi tema de boa parte das perguntas dos jornalistas. Questionada mais uma vez sobre a quantidade de vacinas adquiridas, Nísia afirmou que o governo comprou todo o estoque disponível no mercado internacional, mas observou que a vacinação, neste caso, é uma medida a longo prazo, que não possui eficácia para combater uma epidemia como a que o país está vivendo.

- Eu digo sempre que a vacina é uma medida para o médio prazo, pois deve ser aplicada com três meses de intervalo, em duas doses. Portanto, ela não é o principal instrumento e não tem eficácia para o momento do surto - enfatizou ela.

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O surto, segundo a ministra, está cedendo em sete unidades da federação: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Piauí e Roraima, além do DF. Estabilizou-se nos estados do Amapá, Ceará, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Sul, Tocantins e Paraná. E está em alta nos estados de Alagoas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. As variações climáticas são o fator mais determinante destas variações, embora pesem também as ações de cada governo local.

Nísia foi questionada também sobre a redução, em quase dois terços, dos gastos com as campanhas publicitárias que orientam a população sobre as medidas preventivas da dengue. "Publicidade é uma das ações dentro de uma política mais ampla. Mas nós não fizemos só publicidade. Essas coisas se somam e considero que outras ações são também muito importantes, como as idas das equipes a cada Estado, a cada município. A publicidade é muito importante, mas ela é um fator numa política que é bem mais ampla”, afirmou ela.

- Não podemos relaxar, todas as medidas preconizadas têm que ser mantidas. Essa epidemia aconteceu com uma explosão, um número muito forte de casos, em janeiro. Isso é inédito, então não dá para fazer uma comparação direta com o que aconteceu nas epidemias anteriores" - disse ela, rebatendo comparações com ações publicitárias do governo Bolsonaro.

Nísia apresentou um conjunto de ações de sua pasta, destacando as medidas que estão sendo tomadas para facilitar e agilizar o acesso aos médicos "especialistas", uma cobrança que o presidente vem fazendo desde o ano passado. Ela mostrou um diagrama pelo qual, uma vez atendido numa UBS, o paciente terá o pedido de consulta com um especialista agendado em outra unidade, quando for o caso. A mesma agilidade está sendo buscada para os exames mais complexos, que hoje levam até meses para serem marcados. Quando o SUS não dispuser do especialista e dos aparelhos para exames, lançará mão de convênios com serviços de saúde privados.

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